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Conselho Espiritual

Conselho Espiritual

Bertrand Russell


Assistimos um vídeo que mostra uma entrevista concedida pelo filósofo Bertrand Russell ao repórter John Freeman, no programa Face to Face, da BBC, no ano de 1959, da qual extraímos a seguinte passagem:

John Freeman: “Supunha, lord Russell, que este filme seja assistido por nossos descendentes, como os pergaminhos do Mar Morto, daqui a mil anos; o que o Sr. acha interessante dizer àquela geração sobre a sua vida e as lições que aprendeu?

Russell: “Eu gostaria de dizer duas coisas: uma intelectual e outra moral. O conselho intelectual que gostaria de dar é este: quando você está estudando um assunto, ou considerando alguma filosofia, pergunte a si mesmo apenas quais são os fatos, qual é a verdade que os fatos revelam. Nunca se deixe divergir pelo que você gostaria de acreditar, ou pelo que você acha que traria efeitos sociais benéficos se fosse acreditado. Atente apenas e somente para os fatos. Esse o conselho intelectual.

O conselho moral que gostaria de dar é muito simples. Eu diria: o amor é sábio, o ódio é tolo. Neste mundo, que está ficando mais interconectado, nós temos que aprender a tolerar uns aos outros; temos que aprender a aceitar o fato de que algumas pessoas dizem coisas que não gostamos. Nós só podemos viver juntos dessa maneira; se formos viver juntos e não morrer juntos, precisamos aprender a bondade da caridade e da tolerância, o que é absolutamente vital para a continuação da vida humana neste planeta.” (https://youtu.be/Ut7drCi2mts

Na sessão de um grupo familiar, do dia 1º de maio de 2017, nós evocamos o Espírito de Russell e lhe pedimos que nos desse um conselho espiritual, já que havia dado um conselho intelectual e um moral, enquanto estava vivo. Dissemos que se ele desejasse poderia ditar também algum complemento ou ajuste nos conselhos dados ao repórter, quando vivo. O Espírito ditou o seguinte:

“Amigos,

Quando em minha última existência eu olhava para o céu, para as estrelas, não via aí senão uma produção aleatória do Universo; embora visse certa beleza na forma, no fundo tudo aquilo não passava, aos meus olhos, de um grande caos sem Deus, e eu julgava que deveríamos nos haver com aquela 'realidade': o Universo é indiferente a cada um de nós. Eu pensava que a vida não tinha em si mesma um sentido, mas acreditava que tal sentido deveria ser construído por cada um de nós, embora sempre de modo transitório e incipiente. Eu igualmente acreditava que todos os sistemas de pensamento que admitiam um Deus como soberano supremo, e que supunham haver uma ordem a reger e a dar um sentido a todas as coisas, não passavam de tentativas humanas – frágeis e toscas, por sinal – de lidar com nossa angústia fundamental: a confrontação com nossa finitude, a ausência de um significado evidente para a vida. Em minhas reflexões, eu considerava Deus como uma fábula, que só funcionava de fato para contornar o comportamento de crianças rebeldes.

Dito isso, amigos, gostaria de dizer que as palavras que deixei para os meus descendentes precisam de alguns reparos, porque as lições que tenho aprendido desde minha chegada a este novo mundo me levaram a rever radicalmente meus pontos de vista, antes tão limitados ao meu círculo estreito de opiniões.

Como conselho intelectual, penso ainda que a verdade deve ser sempre buscada, mas cumpre que nos questionemos quais os critérios que temos utilizado para considerar algo como sendo um fato ou um não fato e, por extensão, quais os fatos que estamos elegendo para ser o objeto de nossas reflexões, e também sob quais pontos de vista estamos apreciando os fatos que elegemos como legítimos. O que quero dizer é que, apesar de concordar com o que eu disse há muitos anos, digo hoje que aquele que não coloca em cheque os seus critérios para a busca da verdade, os seus pontos de vista; que não investiga com humildade as suas ideias preconcebidas, muito possivelmente observa a realidade com suas lentes riscadas, e muito do que daí decorre provavelmente são observações injustas, raciocínios incompletos e, não raro, deduções falsas.

Como conselho moral, digo que não é apenas à continuidade da vida humana que a bondade da caridade e da tolerância deve conduzir, mas essas virtudes devem produzir uma revolução interna no modo como encaramos a vida, e assim transformar o mundo externo, incidindo em mudanças radicais na política, na religião, nas artes, na economia, etc. Ao tomar por princípio a caridade e a tolerância devemos procurar, na sociedade, não apenas a paz e o bem-estar social, a ausência de destruições em massa; não apenas a discussão sobre os direitos humanos e sobre uma vida digna na Terra, mas devemos procurar a paz da consciência tranquila, algo que só o cumprimento dos deveres morais pode nos dar.

O conselho espiritual que tenho para dar é muito simples, e pode ser formulado nos seguintes termos: Deus é o alfa e o ômega, o Criador de tudo e o objetivo a que todos nós devemos visar; é o mantenedor da ordem suprema, o Pai dos mundos e a fonte de todo o poder e de toda a sabedoria; Ele é, enfim, a suprema Inteligência que quer ser amada inteligentemente. Procurar conhecer suas leis, sondar as evidências de sua vontade, e esforçar-se para amá-lo com todo o conhecimento é vital para que se cumpra em nós a sua vontade. Somente assim, caminhando com vontade e raciocínio na sua direção, é que habitaremos o seu reino de amor, onde a alma por fim goza da plenitude. Procurem, amigos, aproximar-se de Deus com o conhecimento que já dispõem, mas prossigam em suas buscas com vigor, a fim de que a cada passo aproximem-se mais e mais dele, pela dupla via da instrução e do amor.”

Russell.

Psicografada em 01/05/2017.

Na mesma sessão, outro médium recebeu, simultaneamente, a seguinte comunicação espontânea:

"Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento. Instruí-vos, este o segundo.”

A sabedoria desses dois preceitos ainda estais por compreender, amigos; por isso vos temos inspirado a vos dedicar ao estudo dos vossos deveres como homens e como Espíritos, a fim de que possais chegar à evidência das leis Divinas e nelas depositar uma fé inabalável porque aceita pela razão, na condição de inteligência perfeita dos comos e dos porquês de todas as coisas.

Sendo Jesus o Grande Médico das almas ele vem trazer, pelo Espiritismo, o remédio que há de curar vossas enfermidades da alma, e é preciso que elas sejam investigadas pelo próprio enfermo e, uma vez descoberta a chaga, buscar o remédio aplicável. No entanto, um primeiro passo, e talvez o mais importante, é querer curar-se; outro passo é acreditar que é possível a cura; um terceiro, é buscar com perseverança, constância e dedicação, a fim de não desistir aos primeiros percalços encontrados.

O uso da razão ainda precisa ser melhor exercitado, melhor ajustado, para o que podeis contar com os bons Espíritos; o amor de Deus ainda precisa ser melhor compreendido para que o amor do próximo se desenvolva sobre bases racionais e mais profícuas. O avanço moral, adquirido segundo as regras bem estabelecidas pelo Espiritismo, vos facultará os meios de progresso espiritual, porque uma vez afastados o orgulho e o egoísmo, que embaçam a vossa visão, compreendereis melhor o que é o progresso espiritual e o que significa viver espiritualmente.

Não vos conformeis com alguns pequenos passos, amigos; aspirai o infinito, buscai lançar sempre o olhar para além da matéria perecível, para além desse mundo tão pequeno e imperfeito que é o vosso globo; aspirai a bondade, a perfeição, e buscai os meios para atingir esse objetivo. Como nós, também vós sois filhos do Altíssimo, criados para serdes puros Espíritos; tratai, pois, de vos purificar desde agora, fazendo brilhar vossa luz, que são os elementos de origem divina que tendes em vossas almas.

Amai-vos, instruí-vos, eis os mandamentos que devereis desejar cumprir, utilizando-vos da razão, que é um dos elementos divinos de que sois dotados. Lembrai-vos que a justiça, o amor e a ciência são condições para gravitar para a unidade divina, sendo a justiça e o amor sentimentos impressos pelo Criador na alma ao criá-la, e que deveis desenvolver pelo uso da razão esclarecida e por ato da própria vontade. Volvei assim o olhar para vossa intimidade, a fim de vos conhecer e ajustar vossa conduta cumprindo vossos deveres morais, inteiramente entregues à vossa própria consciência.”

Anjo guardião

Psicografada em 01/05/2017

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