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Cura de S√≠ndrome do P√Ęnico causada por uma obsess√£o

Cura de uma síndrome do pânico causada por uma obsessão (Arquivo PDF)


Breve relato sobre o Sr. E.

Fazia cerca de um ano que tínhamos tido a informação de que o Sr. E. sofria do que os profissionais chamam "síndrome do pânico”. Quem havia nos contado esse caso foi uma prima do Sr. E., a Sra. C., que trabalha como diarista na casa de um membro do GEAK - Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec.

O Sr. E. era um jovem trabalhador como outro qualquer; um dia ele sofreu um acesso de pânico no ambiente de trabalho, foi levado a um psiquiatra e desde então fora afastado por causa do seu estado psicológico. Passou a tomar várias medicações receitadas por psiquiatras, mas nada que resultasse em melhoria para sua alma atormentada.

O Sr. E. morava e ainda mora com sua mãe, que é muito doente e já idosa, e um irmão que teve que deixar o trabalho profissional para ajudar a mãe a cuidar do irmão doente.

Quando soubemos do seu caso, fazia cerca de dezoito anos que o Sr. E. estava aposentado por invalidez mental.

Segundo nos contou sua prima, sua situação só piorava, pois nos último oito anos ele não saía mais de casa, ficava enclausurado, com medo de tudo. Sua mãe tinha uma procuração para pegar a receita médica e para comprar os medicamentos prescritos.

Quando o Sr. E. precisava submeter-se à perícia médica exigida pelo INSS, para aferir sobre seu estado de saúde, ele colocava boné e um óculos escuro que cobria boa parte do rosto, e andava esgueirando-se como se fugisse de alguém. A sua situação era das mais lamentáveis. Fez a mãe construir muros em volta de todo o quintal e colocar vidros escuros em todas as janelas, para que não o vissem caso olhassem do exterior. Não saía para tomar sol, nem no quintal; não assistia TV, e quando tocava a campainha da casa ou do telefone, ele se escondia em baixo da cama, apavorado, dizendo: “agora eles me acharam, agora vão me pegar!” Muitas vezes ele falava: “eu os vejo lá fora, eles me descobriram”.

O resultado desse estado de ânimo fizera com que o Sr. E. desencadeasse outros problemas de saúde, como excesso de peso, prisão de ventre, hemorróidas, etc.

Desde que a patroa da Sra. C., que é espírita, soube da doença do rapaz, passou a orar por ele e pediu ao grupo que também orasse.

Cerca de dois anos já se haviam passado e o Sr. E. apresentava uma significativa melhora, resultado das preces continuadas que eram feitas em seu favor.

Um dia, resolveu ir à Igreja rezar, mas quando voltava para casa teve um acesso de fúria violento. Foi à casa de seu pai, um senhor idoso e bastante enfermo, que mora perto da casa de sua mãe, pois os pais são separados, e lhe dirigiu palavras agressivas, tentou agredi-lo também fisicamente, mas foi impedido por alguns familiares. Chegou em  casa incontrolável, quebrando as coisas com uma força descomunal, que vários homens não conseguiam deter.

A tropa de choque da polícia foi chamada e o Sr. E. foi colocado numa camisa de força e levado a um hospital psiquiátrico, onde ficou internado por cerca de um mês. Quando teve alta já não tinha mais medo de sair de casa. Fazia visitas periódicas ao Centro de atendimento onde recebida assistência, ia à igreja, lia a Bíblia, e sempre quando ficava um pouco ansioso se socorria lendo o Novo Testamento.

Depois dessa melhora, que durou algum tempo, o Sr. E. parece ter sido vítima de uma possessão. Passou a ter um medo incontrolável de ser internado novamente, e suspeitava que todos estavam tramando sua internação.

Sua prima, a Sra. C., que sempre nos dava notícias do rapaz, nos contou que ele havia tentado suicidar-se ateando fogo ao próprio corpo, após três dias trancado no banheiro de casa com medo de ser internado novamente, embora ninguém tivesse a intenção de interná-lo.

Ele havia se trancado no banheiro, num sábado, levando uma garrafa de álcool. Dizia que, se alguém tentasse arrombar a porta, ele atearia fogo no próprio corpo.

Sua mãe e seu irmão fizeram vigília durante três dias, tentado convencê-lo a sair do banheiro, mas nenhum argumento o convenceu. Na terça-feira seguinte, a mãe e o irmão, já exauridos em suas forças, chamaram os Bombeiros discretamente.

Os profissionais, sabendo da situação, entraram na casa silenciosamente. Aproximaram-se do banheiro sem serem percebidos, mas quando arrobaram a porta do banheiro o Sr. E. incendiou o próprio corpo e teve graves queimaduras, especialmente  nos braços, pescoço e rosto. Foi internado, e por quatro dias ficou em coma induzido para receber tratamento e não sofrer dores. Teve alta quinze dias após a internação.

_____

 

            Desejando auxiliar o Sr. E., caso nos fosse possível, além das preces que continuávamos a fazer por ele, em nossa reunião familiar do dia 1º de setembro de 2015 evocamos Santo Agostinho, nosso presidente espiritual, para nos orientar sobre esse caso. Fizemos a ele as seguintes perguntas:

1. Poderia nos esclarecer se o Sr. E. sofre de uma obsessão?
2. Se sim, trata-se de uma vingança? Nesse caso, evocando-se o Espírito obsessor poderíamos levá-lo ao arrependimento?
3. Caso não se trate de uma obsessão, como deveremos direcionar melhor nossas preces para auxiliar essa família?

Recebemos duas respostas simultâneas, por dois médiuns:

"O Sr. E. sofre de uma obsessão levada a termo por uma alma que, tendo-se perdido nos descaminhos do orgulho, atribui a si a tarefa de fazer justiça com as próprias mãos. Podereis evocar este Espírito para ser moralizado, e chegareis a ver a cura completa do Sr. E. Para atingirdes este objetivo, aconselho que alieis a prudência ao desejo sincero e ardente de ver esse Espírito livre e feliz."

Santo Agostinho

Psicografada pelo Sr. R. L., em 01/09/2015.

 

Aqui estou e lhes digo que se trata de uma obsessão das mais cruéis, são almas que têm um vínculo estabelecido no passado. Hoje o Espírito não admite a mudança e o arrependimento de seu antigo companheiro, e atira-se a ele na esperança de trazê-lo de volta ao caminho que trilharam. Esse Espírito aqui está, e seu desejo era causar perturbação, mas sentiu-se intimidado com a nossa presença. (Um dos médiuns realmente sentiu um certo mal-estar).

Poderão evocá-lo com cautela e observação, sem descuidar das preces que o mantiveram afastado do Sr. E., perdendo a ação mais direta sobre sua vítima. Trata-se de um Espírito rebelde que quer desacreditar o poder e a misericórdia de Deus. Hoje, no entanto, ressentiu-se por não poder executar suas ações aqui. As orações do grupo em favor de ambos os fortalecerão, e nós lhes assistiremos nesse propósito.

Vigilância, fé, e, acima de tudo, caridade em todos os momentos."

Santo Agostinho

Psicografada pela Sra. N. L., em 01/09/2015.

 

Um fato digno de nota é que tanto a mãe do Sr. E. quanto ele mesmo, têm uma ideia completamente equivocada do Espiritismo; eles temem sobremaneira tudo o que diga respeito a essa palavra que, para eles, significa coisa do demônio. Assim sendo, fica evidente que eles jamais souberam que o nosso grupo ocupava-se em livrar o Sr. E. da obsessão que ele sofria, tampouco a causa da sua cura que, graças a Deus e aos nossos bons Guias, foi levada a efeito. Ninguém do nosso grupo conhece pessoalmente o Sr. E. nem sua mãe. Todas as informações sobre o estado de saúde do Sr. E. nos eram dadas pela Sra. C., prima dele, que ligava semanalmente para a tia para obter notícias e  assim pudéssemos controlar os resultados do nosso trabalho. A Sra. C. também não participou das sessões, pois é adepta de uma Igreja Evangélica, mas nos ajudou de boa vontade mantendo-nos informados sobre o caso, porque desejava ver aquela família livre do sofrimento.      

A nossa primeira conversa com o Espírito obsessor do Sr. E. se deu no dia 16 de setembro de 2015, e as demais se sucederam nos sete dias seguintes, a fim de levá-lo a refletir sobre o que estava fazendo. A partir do momento em que ele reconheceu que havia andado mal, nós ainda o evocamos algumas vezes para investigar melhor sobre as causas que o levaram a perseguir o Sr. E. por vingança.

Como Deus é justo e bom, deveria haver uma causa justa e um fim útil para tanto sofrimento, e nós desejávamos conhecer essas causas para compreender melhor as leis de Deus aplicadas a individualidades livres, e com isso aumentar a nossa fé nessas mesmas leis, como propõe a Ciência Espírita.

Não vamos reproduzir aqui todos os diálogos que tivemos com esse Espírito, para  a leitura não ficar cansativa; vamos reproduzir apenas o que julgamos útil para nossa instrução sobre as causas atuais e anteriores dos sofrimentos; sobre a responsabilidade que pesa sobre as ações de indivíduos livres, encarnados ou desencarnados; sobre a justiça da reencarnação; sobre o perdão, etc.

Vamos dividir em tópicos para que tenhamos uma visão geral do caso, e assim apreender melhor os detalhes.


Motivos alegados pelo Espírito para justificar a vingança que levava a efeito sobre o Sr. E.

Nos primeiros diálogos, enquanto o Espírito obsessor ainda se obstinava em perseverar na vingança contra o Sr. E., ele se recusava a nos dizer seu nome ou nos dar qualquer informação sobre os motivos da perseguição, embora nossos Guias já nos tivessem dado algumas informações a seu respeito. Foi somente ao longo dos diálogos que ele foi se dando conta de que vingança não é sinônimo de justiça, e foi nos contando as razões que o levaram a empreender a punição do Sr. E. A essa altura já sabíamos que seu nome era Ivan.

Durante a nossa primeira conversa com Ivan, quando consultamos nossos Guias sobre o Espírito com quem iríamos lidar, eles ditaram a seguinte comunicação:

"Antigo militar de alta patente, chefe de um batalhão, morto em batalha. Durante a sua vida utilizava de sua força para dominar; equivoca-se ao julgar que a violência é a força capaz de transformar o mundo; sua fragilidade decorre dessa crença; ele esforça-se para negar sua vulnerabilidade, e busca dominar como meio de proteger-se. Chegareis a ver suas ideias sensivelmente modificadas e vê-lo verdadeiramente arrependido, mas para isso devereis tocar no ponto vulnerável do seu coração; devereis ajudá-lo a olhar para dentro de si mesmo, de modo que perceba o vazio que há em seu ser. É de todo essencial que vibre em sua alma a consciência de como são vãos os seus esforços. Com relação a ele, há toda uma educação moral a ser empreendida; persisti, amigos, e orai com confiança e persistência."

Anjo guardião

Psicografada pelo Sr. R. L., em 16/09/2015.

Reproduzimos aqui o primeiro diálogo que tivemos com Ivan, por julgar que vale a pena comparar as ideias iniciais do Espírito com as que desenvolveu posteriormente.


Primeira conversa com o Espírito obsessor do Sr. E. - 16 de setembro de 2015.

Após o estudo da dissertação "A fé humana e a Divina”, do Evangelho segundo o Espiritismo, e a análise das comunicações dos Guias recebidas na sessão passada, sobre o caso em questão, fizemos a prece pelos Espíritos endurecidos e evocamos o Espírito que obsidia o Sr. E.., pois ainda não sabíamos o seu nome.

Evocação.

- Quem foi que disse que eu sofro? Eu não me intrometo nas coisas de vocês e vocês agora querem tirar satisfações comigo.

1. E se dissermos que nós só queremos ver você feliz e livre?

- Mas eu sou livre e tenho passado bem.

2. Como é que alguém pode ser livre se não consegue desvincular-se de sentimentos que não são bons?

- Um bom comandante não abandona o seu soldado. Não é assim.

3. Você é feliz?

- Sim. Por que eu não seria?

4. Porque quando não consegue seu intento, há sofrimento.

- Mas eu tive sucesso, porque não posso admitir que ele agora simplesmente saia sem a minha permissão… e não sou mau, porque só digo-lhe que faça, e se não faz sou duro com ele. Só isso.

5. Por que você quer dominá-lo?

- Porque temos compromissos.

6. Gostaria de nos dizer que compromissos são esses?

- Compromissos que uma vez assumidos diante de um propósito, que foi sempre o respeito e a submissão, e que não podem agora ser rompidos desse jeito.

7. Respeito a quem, ou ao quê?

- À hierarquia.

8. E no topo dessa hierarquia quem está? Deus?

- Não estou aqui falando de Deus, estou falando de comando.

9. Mas todo comando tem um comandante supremo, não?

- Há, claro que há, e nós também seguimos ordens, mas posso dizer que estou acima dele, bem acima. Temos um projeto maior. (Refere-se ao Sr. E.).

10. O seu comandante é justo e bom? Quer ver todos os que estão na base  felizes, livres?

- Numa guerra não há justiça de verdade, há os que podem vencer, e pronto. Vocês acham que as guerras acabaram, mas elas continuam aqui e aí.

11. E que diferença faz um soldado que quer desertar, ou tomar outro rumo, como é o caso do Sr. E., como você disse. Você quer mantê-lo à força sob seu comando?

- Se não o punirmos outros seguem o mesmo caminho.

12. Então não há liberdade, há uma espécie de escravidão, de servidão?

- Ele aceitou, eu aceitei, pronto.

13. E como aceitou um dia de um jeito, não pode mudar de ideia?

- Eu não quero mudar, não mesmo.

14. Mas considera que se alguém quis um dia de um jeito, pode não querer no outro, ou querer diferente?

- Não neste caso em que ele foge, negando tudo o que foi, o que fez.

15. Qual é a causa que vocês defendem? Perguntamos porque queremos nos instruir.

- Queremos homens fortes, que não se vendam por ninharias. Queremos uma nação que tenha o domínio pela força de seu caráter e que faça esse mundo avançar.

16. Parece uma boa proposta, se não ferisse a liberdade.

- Acha que esse mundo avançaria mesmo, se não pegássemos as armas, se não matássemos uns aos outros? Eu não acredito.

17. Você ouviu falar de Jesus? Conhece a proposta dele?

- Sim.

18. Acha que Jesus não venceu de outra forma?

- Ele tanto não venceu, que basta olhar para o lado e ver quantos ainda se matam, se ferem, mas alguém precisa dominar, nem que seja à custa de vidas.

19. O que você pensa sobre Deus?

- Deus é uma criação para a mentes fracas.

20. E você, o que é?

- Eu tenho um ideal e me mantenho nele.

21. Nós perguntamos o que você é, não o que você tem.

- Sou esse que estou aqui.

22. Quem criou esse que está aí? Essa inteligência que nos fala? Acaso criou-se a si mesmo, ou foi criado?

- Não sei dizer. O que isso importa?

23. Tem toda importância. Você é uma inteligência, pensa, planeja, age, usa ferramentas do seu intelecto. Acaso criou-se a si mesmo?

- Não penso nisso.

24. Por que?

- Porque não vejo importância. Se estamos aqui, estamos, pronto. O que importa quem nos criou, se nos criou? Estamos aqui, vejo-os, e pronto.

25. Mas se alguém cria algo, é com algum objetivo. E se fomos criados, e temos liberdade de certa forma, esse Criador tem um plano para nós, para cada um, e é por isso que nós estudamos e temos a certeza de que fomos criados pela Inteligência suprema, que chamamos de Deus.

- É em nome desse Deus que querem afastar o Sr. E. de mim, mas não vai ser assim.

26. É em nome desse Deus que queremos ver você feliz e livre dessas cadeias que arrasta, sem dar-se contas porque já se acostumou a elas. Filho de Deus, nós temos certeza de que você é. Consegue perceber que somos sinceros com você?

- Acontece que, se o propósito de vocês é libertá-lo, não há essa possibilidade. Ele se esconde, se escondeu, e agora não tem mais para onde fugir, nem para dentro dele.

27. O nosso propósito não é libertá-lo, pois isso deixamos a Deus, que é todo poderoso. O que queremos é ver você livre. Deus, que é misericórdia, concede a você a oportunidade de compreender o engano em que incorre, e é por isso que nós o chamamos. Quando terminar a prova da sua vítima ela sairá dela mais feliz, e para você restará o amargor, e é isso que desejamos evitar. Evitar que você venha a sofrer mais essa desilusão, porque ninguém tem poder sobre outros para sempre.

- Então deixem-me. Simplesmente deixem que as coisas sigam o seu rumo.

28. Faz muito tempo que você viveu na Terra, se é que viveu aqui?

- Sim.

29. Com o que se ocupava?

- Comandava. Continuo, continuo a fazer o que fazia, com muito orgulho.

30. Então não tem tido tempo para pensar em si mesmo?

- Passei um bom tempo pensando nos homens que eu devia comandar e colocar no campo de batalha.

31. Você não tem medo de acabar como o Sr. E.?

- Não, porque não fujo à luta.

32. Podemos dizer que a luta mais difícil é aquela que devemos travar em nossa intimidade, olhando para nós mesmos e buscando ouvir a nossa consciência.

- Uma consciência reta é aquela que faz o que deve ser feito. Desincumbi-me de todas as minha tarefas, não deixei uma para trás, nenhuma.

33. Isso é um sinal de bravura. A fidelidade aos compromissos é uma virtude que Deus sempre leva em conta. Mas é importante refletir a que causa nos dedicamos com tanto ardor. Talvez essa seja a reflexão mais importante neste momento. Pensar se você poderia viver por toda a eternidade nessa ação.

- Não saberia dizer.

34. Nós propomos que você pense nisso. Por mais que não acredite em Deus, Deus está lhe dando uma oportunidade de pensar: o que faço agora eu suportaria fazer por toda eternidade? Sempre e sempre?

- Agora tenho só uma coisa a fazer, que é trazê-lo de volta. É isso. Vou embora.

35. Você só tem ele sob seu comando?

- Não. Claro que não!

36. Desagrada-lhe a nossa conversa?

- Desagrada-me saber que querem libertá-lo, pois aí teremos um confronto.

37. Queremos que você encontre as chaves de suas algemas, e temos pedido isso a Deus. Ele há de conceder-lhe a sua alforria. Desejamos vê-lo feliz na eternidade.

 

No dia 23 de setembro do mesmo ano, após termos lido o texto “Perdão das ofensas”, do E.S.E., e também "Origem do bem e do mal”. Esses textos traziam boas razões para que Ivan abandonasse a vingança e buscasse auxílio dos bons Espíritos que nos assistem. Como ele nos havia dito que tentaria, era provável que tenha logrado êxito, pois no dia seguinte recebemos da Sra. C. esta notícia sobre a situação do Sr. E.: "A tia disse que o E. foi com ela ao Centro da cidade para buscar seus remédios, preocupado com o fato de ela ir sozinha."

Isso denota que despontava nele uma certa lucidez, pois já começava a pensar na mãe, o que é um bom sinal.

Eis algumas passagens da nossa conversa com Ivan, no diálogo do dia 23 de setembro, que não reproduzimos integralmente por ser bastante longo:

P. Você ouviu o texto que lemos a pouco sobre a "Origem do bem e do mal”?[1]

R. - Sim.

P. - Conseguiu compreender melhor as leis de Deus, o bem e o mal, a necessidade do perdão?

R. - Fizeram-me pensar um pouco...

P. Você acha justas essas ideias?

  R. - Se partir do pressuposto de que foi Deus que criou tudo, sim, parece justo.

P. Então nós vamos pedir para você, em nome desse Deus que nos vê, que nos ama, que seja sincero conosco. Assim será melhor para você e para nós, que desejamos ver você feliz.

R. Tentarei ser... (Suspiro …) Porque sei que o que querem mesmo é isolá-lo de mim.

P. O que nós temos proposto a você é que dê um pouco de atenção a si mesmo, que reflita sobre o que tem feito, sobre o mal que tem feito, sobre a infelicidade que tem causado, se vê nisso vantagens para o seu Espírito imortal, e diga-nos sinceramente se essa situação poderia ser sustentada por toda a eternidade.

R. Se eu dissesse que essa situação não me agrada, já estaria descumprindo o que disse: que seria sincero. Se disser que me sinto cansado, aí também estaria revelando a minha fraqueza, pois não pode haver cansaço quando se está numa batalha... Mas, a verdade é que me sinto um pouco cansado

 

Observação: no dia 24 de setembro, dia seguinte a esse diálogo, a Sra. C. ligou para sua tia, mãe do Sr. E. e obteve a seguinte notícia: "O E. agora tá melhor, graças a Deus. Tá assistindo televisão, agora voltou assistir, ligou o computador, você precisa ver, até o computador que não funcionava ele botou pra funcionar. Ele tá melhor, graças a Deus. Só não pode nos ver conversando que pensa que estamos tramando para interná-lo de novo.” Sobre o medo de ser internado novamente vamos tratar logo adiante.

 

Após o diálogo com Ivan, no dia 27 de setembro, em que havíamos lido a dissertação “A lei de amor”[2], passamos a palavra aos nossos Guias, e recebemos as seguintes comunicações, por dois médiuns simultaneamente, e uma parece ser a continuação da outra:

 

"Hoje este Espírito que vos fala foi tocado em sua consciência, e esse toque o fará refletir; vossas preces devem ser no sentido de sustentá-lo em suas reflexões, de modo que não tardem as boas resoluções. Não há Espírito que permaneça rebelde eternamente, e não há rebeldia que não ceda ante o apelo da razão e do coração. Deus quer a glória dos seus filhos, mas esta glória não há de ser distante do Seu seio, e é por isso que o Cristo segue convidando a todos para a festa de bodas, dirigindo aos mais rebeldes as seguintes palavras: 'Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei’."

      Anjo guardião

Psicografada pelo Sr. R. L., em 27/09/2015.

 

"Conjugando essas duas forças, a razão e o amor, é que o homem modificará esse mundo; perceberá que a força desses elementos é a maior de todas as forças, de todas as armas; conseguirá derrubar as muralhas da indiferença, do rancor e do ódio que ainda separam os homens; fará dos fracos, fortes; dos fortes, os mais justos, dos justos, os senhores da paz. Jesus é o mensageiro do amor, e o amor reinará na Terra."

Um Espírito

Psicografada pelo Sr. R. A., em 27/09/2015.

 

Observação: No dia 30 de setembro a Sra. C. nos deu a seguinte notícia sobre seu primo, o Sr. E.: "Ele está muito bem, já tem saído sem boné e sem óculos escuros, costume que havia adotado por causa do medo de ser notado. Ele agora vai para o Centro da cidade e também a parques, para se distrair.

 

Efeitos das preces nas curas de obsessões

 

A Ciência Espírita nos ensina que as preces são um poderoso meio de ação, especialmente quando feita por várias pessoas com objetivo de curar as obsessões.

Sabemos que "Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover de seus propósitos maléficos o obsessor.[3]

"A prece é o veículo dos fluidos espirituais mais poderoso, e é como um bálsamo salutar para as feridas da alma e do corpo. Atrai todos os seres para Deus, e, de certo modo, faz a alma sair da espécie de letargia em que se acha mergulhada, quando esquece os deveres para com o seu Criador.[4]

 

Os membros do grupo se dedicavam a orar pelo Sr. E. e também pelo Espírito que o obsidiava. Foi assim que, depois de alguns diálogo o Espírito passou a perceber o engano e voltar-se para uma outra realidade.

Reproduzimos aqui uma de suas comunicações, quando ele já havia mudado de ideia quanto à vingança, e nos contou um pouco da sua história:

"Meu nome é Ivan. Minha última vida na Terra foi em uma comuna russa, em que lutei em batalhas contra Napoleão. Nossa missão era detê-lo no avanço de dominação em território russo e, como já foi dito, morri em batalha. Eu havia reunido os melhores homens para aquele intento, mas no meio de uma batalha sangrenta alguns debandaram, abandonando seus postos e colocando a vida dos demais em perigo, por medo da crueldade com que agiam as tropas daquele general. O que eu via naquele momento era somente a possibilidade de liberdade a qualquer preço, então eu comandava com mão de ferro. Ao saber dos desertores prometi puni-los a qualquer custo, mas morri em campo. Deixando o corpo, eu os persegui, em especial esse que tinha mais ligação comigo (Refere ao Sr. E.).
Acredito ter respondido ao que me perguntam, mais detalhes não parecem ser importantes.

Ivan
Psicografada pelo Sr. R. A., em 14/10/2015.

 

O abandono da vingança e a cura da obsessão

 

Sabemos que a cura da obsessão, neste caso, só se daria quando o Espírito obsessor abandonasse a vingança. Foi o que se deu, quando Ivan deixou de perseguir o Sr. E. No entanto, abandonar a vingança não significa necessariamente um arrependimento sincero por parte do Espírito. Significa apenas que ele não irá mais perseguir sua antiga vítima. E foi o que aconteceu, pois o Sr. E. ficou curado da chamada "Síndrome do Pânico”.

Depois da evocação de Ivan, evocamos nossos Guias para nos trazerem seus conselhos e orientações. Recebemos as seguintes comunicações:

“O Sr. E. passou a experimentar um alívio na alma, como se tivesse se libertado de um grande peso que o esmagava. Agora, com a mente mais serena, também começa a voltar seus pensamentos para Deus. Está percebendo com mais serenidade o mundo que o rodeia e já começa a voltar sua atenção para a mãe, que precisa muito do seu auxílio. Vossas preces devem ser um tratamento contínuo, e irão auxiliar no restabelecimento do seu organismo, expulsando os fluidos malsãos com que fora impregnado pela ação do Espírito durante vários anos.”

Psicografada pela Sra. L. L., em 14/10/2015.


"Há
verdade no que Ivan vos relata, mas ele ainda oculta que foi a sua obstinação que o fez perecer naquele século. Todavia, o fato é que a oportunidade que se lhe apresenta no momento é para que deixe que o seu passado fique somente nas páginas da história. Sua maior batalha agora é consigo mesmo, e as preces o sustentarão.
Para o Sr. E. também as preces, para que mude suas ideias e supere os medos que por vezes ainda o assaltam.”

Albert
Psicografada pelo Sr. R. A., em 14/10/2015.

 

Sobre a possessão sofrida pelo Sr. E. após um período de melhora

 

Na sessão do dia 01 de outubro nós perguntamos aos nossos Guias o porquê da melhora havida pelo Sr. E. e a causa da possessão que sofrera antes de ser internado.

Recebemos a seguinte resposta:

 

"O que se passou com o Sr. E. é que já a algum tempo o Espírito havia percebido que perdia o domínio sobre ele, graças às preces feitas pelo grupo em seu favor. Por isso, e vendo o Sr. E. mais livre, buscou apelar com toda a sua força subjugando-o.

A melhora atual do Sr. E. se dá porque as preces que fazeis por ele estão ajudando-o, e porque o Espírito está buscando repensar toda a sua vida. O momento por que esse Espírito passa agora é decisivo; o apelo que deveis fazer-lhe é para que deixe o passado no seu devido lugar, e visualize um futuro repleto de oportunidades para ser feliz. Deve ser esse o caminho a se seguir na condução dos diálogos.

Albert
Psicografada pelo Sr. R. A., em 01/10/2015.

 

Observação: no dia 01 de outubro a Sra. C. ligou novamente para sua tia, e quem atendeu foi o Sr. E., coisa que não se poderia imaginar pouco tempo antes, pois quando ele ouvia o telefone chamar entrava em pânico, e sempre dizia para a mãe: “fale baixo, fale baixo, senão eles me descobrem.” A Sra. C. nos disse que ele estava feliz, contou-lhe que as queimaduras já estavam cicatrizadas e a convidou para ir visitá-los.

 

Uma alma ainda dividida entre a razão e a paixão

 

Platão retratou, em seu diálogo intitulado Fedro, a luta de uma alma dividida entre a razão e a paixão, com as figuras de um cocheiro num carro alado puxado por dois cavalos: um representando a razão e o outro as paixões. No Livro dos Espíritos encontramos novamente o cavalo como símbolo das paixões:

As paixões são como um cavalo que é útil quando é dominado, e que é perigoso quando é ele que domina. Reconhecei então que uma paixão se torna perniciosa no momento em que deixais de poder governá-la, e tem como resultado um prejuízo qualquer para vós ou para outrem.

As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem, e o ajudam no cumprimento dos desígnios da Providência; mas se, em vez de dirigi-las, o homem se deixar dirigir por elas, cai nos excessos, e a própria força que, em suas mãos, podia fazer o bem, recai sobre ele e o esmaga.[5]

           

É assim que vamos encontrar nosso antigo oficial russo debatendo-se com sua realidade interna, dividido entre o apelo da sua razão e as paixões que até então o arrastavam. Ele precisaria fazer um movimento em sua alma para deixar de dominar o outro e dominar a si mesmo… Aí estaria, talvez, a sua mais árdua batalha, como também é a de muitos de nós.

Num de nossos diálogos nós lhe perguntamos se ele gostaria de nos dizer se havia refletido, como prometera, sobre o que tínhamos conversado até então, e ele respondeu: 

- Sim, e tenho passado uns dias difíceis, se posso dizer. Isso porque até pouco tempo eu sabia exatamente o que fazer e como fazer. Agora eu balanço…

P. Considerando-se que o caminho que você seguia com tanta certeza não era um bom caminho, a reflexão ou a dúvida podem ter o seu ponto positivo, não?

- Sim, parece que sim.     

Nós havíamos lido, antes de evocá-lo, o texto “O mandamento maior”, E.S.E. Então lhe perguntamos:

P. Gostaria de fazer algum comentário sobre o texto que lemos?

- As ideias parecem justas, embora para mim, sinceramente, parecem tão utópicas. Mas parece que as minhas ideias também são, porque o mundo não se reformou ainda depois de tantas guerras. Por isso disse que me inquieto. Bastaria eu deixar tudo para traz e me engajar em outra luta. Aí tenho que não olhar mais para trás, mesmo, pelo que estou entendendo.

P. Mas parece que coragem não lhe falta, não é mesmo?

R. - Não. Mas devo confessar que sinto um pouco de medo, sentimento que eu tanto combati, sempre ironizei nos homens. 

P. De quê você sente medo?

R. - De ter que reparar o mal que fiz. Se é assim, terei que dar contas do que estou fazendo e do que fiz. Como será isso? 

P. Os bons guias que nos assistem podem lhe responder a essa pergunta com sabedoria.

- Dizem que a única razão de eu estar aqui é que Deus já perdoou todos os meus pecados e que eu devo agora mudar definitivamente, porque não é Deus que me há de punir e sim a minha própria consciência. Dizem que isso deverá ocorrer uma hora ou outra, e que essa é uma oportunidade para não retornar mais ao erro. 

Eu não conseguia ver uma coisa que percebo agora; há outros Espíritos aqui com patente superior, digamos assim, à minha, e que para persuadir os outros, como fazem comigo agora, o fazem de forma amena; justa, mas amena. Vejo agora que eles estão bem acima de mim.

P. Há grandeza em admitir as próprias faltas e confessá-las diante de Deus, que é um Pai justo e bom, mas também é misericordioso e clemente. Tem visto o Sr. E.?

R. - Sim.

P. Tem ainda buscado dominá-lo?

R. - Estes últimos dias, não. Parece que Deus tem mais condições de dizer a todos nós como fazer justiça.

P. Você nos disse que agora percebe que nós não queremos o seu mal; nós gostaríamos que percebesse também que nós queremos o seu bem, a sua felicidade. 

R. - Então, desejo contar com vocês para poder entrar nesta nova luta. 

  P. Nós lhe damos a nossa palavra, e temos certeza que poderá contar com todos os bons Espíritos que aqui estão, esperando o seu sim ao bem e a Deus.

P. Você percebe que quando nós oramos pelo Sr. E., que não conhecemos, ele se fortalece. Da mesma forma nós oraremos por você, já que agora sabemos de sua existência. O nosso pensamento benevolente irá fortalecê-lo, porque os bons Espíritos saberão bem aproveitar nossas preces para ajudá-lo. É fato que o pensamento, que nós chamamos de prece, faz bem, e fará bem a você também.

- Sim. Eu não compreendo isso ainda, mas tudo o que percebi até agora me parece pelo menos lógico.

 

Na sequência evocamos Albert, um dos nossos professores para os assuntos de obsessões, a fim de que nos trazer orientações sobre o caso. Recebemos a seguinte comunicação:

"O Espírito, quando diz que mesmo visitando o Sr. E. não age contra ele, diz a verdade, porque ao vê-lo, agora, vê nele alguém que como ele andou equivocado, e que deseja refazer o seu caminho. O desejo de dominação ainda vive em seu íntimo, mas ele já percebe que a liberdade muda de aspecto quando se vê no próximo o direito de também exercê-la.

Os Espíritos que ele viu e aos quais se referiu como sendo de "patente superior" à dele, na verdade são os guias que vos ajudam neste caso; quando ele se refere às patentes quer dizer que eles são mais elevados do que ele, porque também percebe que neste mundo, onde agora se encontra, os títulos, as hierarquias, são de outra natureza.

Quanto ao Sr. E., dizemos que passa a ter outros pensamentos, pensamentos mais lúcidos, mais livres, porque estava acostumado a pensamentos viciados, induzidos por esse que o influenciava; agora precisa colocar seus pensamentos em outros objetivos.

  van ainda está fragilizado e necessita afirmar bem seus novos propósitos; continuem orando para que ele mude efetivamente.

Albert

Psicografada pelo Sr. R. A., em 07/10/15.

 

Eis o mandamento maior, que havíamos lido antes de evocar Ivan:

 

Mestre, qual o mandamento maior da lei?” – Jesus respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo.Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - O mandamento maior)

 

A volta do filho pródigo

No dia 7 de outubro tivemos mais um diálogo com Ivan, do qual vamos reproduzir alguns trechos.

Nós lhe perguntamos se nossas preces lhe têm sido úteis, e ele respondeu:

- Sim. Têm sido muito úteis porque me sinto melhor, como disse. Agora, um próximo passo, que para mim ainda é difícil, é que preciso, para aliviar a minha consciência, ao encontrar o Sr. E., pedir-lhe desculpas; e isso tem que ser sem o vício da autoridade, que ainda tenho dentro de mim. Preciso olhá-lo como alguém igual a mim e aí eu sinto mais dificuldade

P. Para isso é preciso arrepender-se de fato, mas é preciso primeiro compreender, não é isso?

- Sim. 

P. Nós só conseguimos abandonar uma ideia na qual acreditávamos, se a nossa razão admitir uma outra ideia que nos pareça mais justa, aí então mudamos de ideia e a isso chamamos arrependimento; com o arrependimento vem a coragem de dizer: "meu Deus, perdoe-me e ajude-me a levantar.” Há grandeza em reconhecer os próprios erros, pois de mais coragem precisamos para perdoar uma ofensa do que para atacar o ofensor… Por isso dissemos que é preciso coragem.

R. - Eu que achava que era preciso coragem para não temer os homens, não temer ninguém. Estava enganado

P. Poderia nos dizer o que você pensa hoje a respeito de Deus?

- Tenho pensado que se tudo isso está acontecendo, e nada parece ser coincidência ou obra do acaso, essa força existe chamada Deus e eu quero compreender mais.

P. O fato de você ter tido esta oportunidade já é um motivo de gratidão, e a gratidão é uma virtude que nos aproxima de Deus. Gratidão aos bons Espíritos que nos assistem; gratidão a Deus que, por meio deles, vela por nós. Esse já é um bom começo.

R. - Sim. 

P. Todos temos boas razões para sermos gratos, todos os dias. Nós somos tão gratos a Deus por ele ter ouvido as nossas preces e permitir que você fosse auxiliado e que pudesse ver mais claro; por tudo isso somos muito gratos ao Criador do Universo, e nosso Criador também.

- Vejo sinceridade no que fala, e quero me aproximar desse Deus que tanto neguei até agora. 

P. Para isso é preciso arrepender-se de fato, mas é preciso primeiro compreender, não é assim?

- Sim, é verdade.

P. Podemos então contar que você não vai mais influenciar negativamente o Sr .E.? 

- Sim, dou minha palavra. 

P. Nós vamos pedir a Deus que lhe dê a força e a coragem necessárias para olhá-lo agora como um irmão, que verdadeiramente o é, porque filho de um mesmo Pai. Um irmão frágil, mas um filho de Deus que será Espírito puro um dia.

- Eu agradeço.

 

No dia 21 de outubro iniciamos a sessão pela leitura do texto da grade: Lei de amor, item 9, e em seguida evocamos nossos Guias e lhes fizemos as seguintes perguntas:
1
. Parece que Ivan ainda não se arrependeu verdadeiramente. O que o impede de arrepender-se? Acaso ainda não mudou de ideia quanto a perseguir o E.?
2.
Pedimos que nos orientem para que possamos bem nos conduzir.

 

Recebemos a seguinte comunicação:

“Ivan tem feito boas reflexões que o conduzem para um outro estado de alma, mas tem que vencer o ímpeto da dominação que ainda fervilha em seu íntimo. Renunciou às investidas contra sua vítima e agora precisa escolher entre amargar os erros do passado, ou olhar para o futuro pleno de boas oportunidades que se abre à sua frente.

O que o impede de arrepender-se é ainda a sua sede de dominação somada ao preconceito que alimenta o medo de mostrar-se fraco; teme abrir mão do seu suposto poder, conquistado pela glória de sua bandeira e pela força do exército que ele comandava.
Ele tem se esforçado para cumprir sua palavra, mas sabei que o arrependimento sincero, verdadeiro, desperta na alma o desejo de reparar os seus erros, fazendo com que nela floresça o desejo de seguir, sem retorno, o caminho do progresso.
As mudanças
que nele se operaram são significativas, e podeis verificar que sua ação má junto ao Sr. E. foi suspensa. O que Ivan precisa agora é tomar da charrua e não olhar mais para trás.

Anjo guardião
Psicografada pelo Sr. R. L., em 21/10/2015.

 

Em seguida evocamos Ivan, e tivemos com ele a seguinte conversa:

 

Evocação.

- Estou aqui.

P. Você acompanhou a leitura do texto que lemos hoje, Ivan?

- Sim.

P. Gostaria de fazer algum comentário, ou alguma pergunta?

- Às vezes eu fico pensando que existiram alguns personagens na história que modificaram muita coisa à sua volta com esse sentimento chamado amor, mas parece ser tão lento isso. Por que?

P. É lento porque depende da nossa vontade, mas se quiséssemos poderíamos avançar muito rapidamente. Este mundo que habitamos é um dos mais imperfeitos, destinado especialmente a Espíritos rebeldes. É um mundo de provas e expiações. Esses personagens a que vocês se refere, são Espíritos bons que nascem aqui e promovem grandes avanços, mas são exceções. A grande maioria dos habitantes da Terra, Espíritos e homens, é constituída por Espíritos imperfeitos. No entanto, como somos seres livres, o avanço depende da vontade de cada um individualmente. Todavia, todos os filhos de Deus têm na alma o germe dessa centelha sagrada chamada amor.

R. - Será possível um mundo que avance só com os sentimentos de amor, de compaixão? Os homens são tão endurecidos, e você diz que depende de nós.

P. Você vê os Espíritos felizes que vêm aqui. Eles amam, são compassivos, e são verdadeiramente livres; eles não pertencem mais a este mundo inferior, que é o nosso planeta; andam livres pelo Universo, mas por amor e compaixão voltam para nos estender a mão e nos convidar a seguir orientando-nos pela moral do Cristo.

R. - Sim, eles não guardam nenhuma expressão de preocupação, então acho que são livres mesmo.

P. Veja que se eles são felizes é porque é possível. Muitos deles jamais habitaram este grão de areia que chamamos Terra. Muitos escolheram seguir desde o início o caminho reto, servir a Deus, obedecer as suas leis; por isso não precisaram enfrentar os sofrimentos que nós enfrentamos, as dificuldades internas e externas causadas pela nossa rebeldia às leis de Deus. Alguns deles já trilharam por maus caminhos, mas arrependeram-se, repararam suas faltas, a agora são felizes também. Assim podemos dizer com toda certeza: o amor é uma escolha possível, e depende da nossa vontade. Aí está a justiça e também a beleza da lei de Deus.

R. - Então preciso recomeçar…

P. Sim. E para isso precisa fazer uma releitura de si mesmo, refletir sobre o que tem feito, sobre as consequências dos próprios atos, sobre o que tem sentido, e fazer novas escolhas que possibilitem uma felicidade efetiva.

R. - Entendo. Talvez eu tenha que voltar de novo… e apagar essa imagem que fiz de mim mesmo.

P. Solicitando a Deus, com sinceridade, ele não só concede uma nova oportunidade, mas também envia os bons Espíritos para lhe ajudar a fazer uma nova escolha, em condições próprias para avançar. Talvez o grande desafio daqueles que gostam de dominar, é dominar a si mesmo. A reencarnação é uma oportunidade de esquecimento do passado, de um novo recomeço, e isso é maravilhoso.

R. - Tenho medo do que me aguarda… se eu decidir realmente mudar a minha vida, sei que vou ter que responder pelo que fiz. Como será isso?

P. Deus é um Pai justo e bom, e é também misericordioso. Ele não quer o sofrimento de seus filhos, quer que façamos o bem para reparar o mal que fizemos. No corpo, como homens, ou fora dele, como Espíritos, quando vierem as dificuldades, podemos sempre contar com um amigo que nos ama e está ao nosso lado por ordem de Deus: os Anjos guardiães. Não faltará apoio e forças para vencer as provas. Misericórdia é uma palavra que expressa o amor de um Deus para com seus filhos rebeldes; é como um bálsamo sobre as feridas da alma. Afinal, Deus não quer a morte do ímpio, quer que ele se converta e viva, utilizando-se de todos os elementos de origem divina que traz em si para fazer o bem e evitar o mal. Consegue ouvir os bons Espíritos?

R. - Sim.

P. O que eles lhe dizem sobre o medo?

R. - Dizem que eu devo confiar em Deus; confiar na sua justiça e na sua bondade, que assim conseguirei superar as dificuldades. Dizem que agora devo transformar o que tenho dentro de mim só em ações boas, que isso é possível.

P. Você gostaria de nos contar sobre o que mais o incomoda? Talvez isso possa aliviar sua alma. Dividir com os amigos às vezes ajuda.

R. - O que mais me incomoda agora são as lembranças, porque até então eu não me importava com elas, mas agora elas estão mais vivas… Lembranças de coisas que fiz, que ordenei que fizessem.

P. A melhor forma de aliviar a consciência é pedir sinceramente a Deus que lhe perdoe e que lhe conceda uma nova oportunidade; pedir para esquecer o passado infeliz e não mais esquecer Deus, nem os bons amigos que desejam ajudá-lo. Quando você dobrar-se sobre si mesmo e pedir a Deus que perdoe as suas faltas, como diz a Oração Dominical, que temos feito juntos, já sentirá um alívio. Deseja que façamos juntos agora essa prece que Jesus nos ensinou?

R. - Sim. (Fizemos a Oração dominical por Ivan e com ele).

 

Como sempre fazemos, antes de dar por encerrada a cura de uma obsessão, perguntamos aos Guias se podemos assim considerar, porque de nossa parte só cabe observar os efeitos produzidos na vítima, mas como não tínhamos acesso direto ao Sr. E., e sabemos que os Espíritos têm, perguntamos a eles e eles nos responderam:

P. Podemos considerar curada a obsessão sofrida pelo Sr. E.?
R. - Sim. Ivan está
mais fortalecido e já compreende que o que fez foi um mal, e tem cumprido a sua palavra; o desejo de dominação já perdeu força em sua intimidade; a ação má e persistente contra o E. foi encerrada, e hoje ele vê com mais clareza o que antes via apenas de modo turvo pelas lentes das paixões que fervilhavam em sua intimidade.

Anjo guardião
Psicografada pelo Sr. R. L., em 05/11/2015.

 

“O Espírito de Ivan apresenta uma boa melhora em seu comportamento. Podereis instruir-vos com ele a respeito de como fazia para infelicitar o Sr. E., e não deixeis de fazer desde já as devidas ligações com o que desejais conhecer sobre a influência dos fluidos espirituais sobre o organismo humano.

Quanto ao Sr. E. ele demonstra uma melhora significativa em seu quadro, mas como ele acaba de sair de uma obsessão grave não deveis negligenciar o remédio que há de ajudá-lo a restabelecer-se completamente; esse remédio são as preces que todos deveis continuar fazendo por ele e por sua família."

 

Albert
Psicografada pelo Sr. R. A., em 05/11/2015.

 

 

Um Espírito arrependido - uma nova oportunidade

Nesta sessão do dia 05 de novembro lemos o texto A fé e a caridade, E.S.E, cap. XI, item 13. Fizemos a prece pelos Espíritos arrependidos, também do E.S.E, e logo evocamos Ivan.

 

Evocação do Espírito de Ivan:

- Estou aqui.

P. Quem nos fala?

R. - Ivan.

P. Gostaria de nos dizer com o que tem se ocupado e se está mais feliz?

- Sim, tenho acompanhado os estudos deste grupo e também tenho me dedicado a refletir sobre o meu futuro.

P. Então você vislumbra um futuro mais feliz?

R. - Sim, agora vejo que é preciso marchar em frente.

P. Que Deus lhe dê forças e o sustente na boa luta para se tornar um bom Espírito.

Nós preparamos algumas perguntas e gostaríamos de fazê-las a você, se desejar nos responder. A primeira você já respondeu, que é sobre sua confiança em Deus. A segunda é se você encontrou Napoleão depois de sua morte.

R. - Não o encontrei.

P. Gostaria de encontrá-lo? 

R. - Talvez. Talvez, se fosse possível.

P. Poderia nos dizer que sentimentos nutre hoje por ele?

R. - Hoje não guardo mais o sentimento de ódio que em algum momento, quando estávamos no corpo, eu nutri por ele porque estávamos em guerra, em luta. Se não fosse contra ele seria contra outro.

P. Consegue perceber hoje se a guerra da qual participou trouxe algum benefício para a Humanidade?

R. - Agora percebo que nada está fora do lugar, mas vejo também que existem tantos caminhos para o homem; mesmo que as guerras tenham gerado depois algum bem, agora vejo que poderiam ser evitadas. Hoje percebo que o amor poderia ter feito muito mais bem.

P. Nós sabemos que você tem mantido a sua palavra com relação ao Sr. E., e isso denota que há uma nobreza em sua alma. Agora perguntamos se você pensou em reparar sua falta para com ele auxiliando-o?

R. - Não. Mas o que eu poderia fazer neste momento?

P. Os bons Espíritos que nos assistem poderiam lhe orientar nesse sentido, mas parece-nos que você poderia fazer muito para apressar a melhora dele, já que tem sobre ele uma certa ascendência. Pergunte aos Guias e nos diga se isso é possível, e de que forma.

R. - (Depois de breve silêncio) Poderia influenciá-lo agora com bons pensamentos, eles me dizem, sugerindo ideias salutares e mostrando-me a ele durante o sono, não mais para aterrorizá-lo, mas para encorajá-lo.

P. Assim você o ajudará a sair mais rapidamente da situação em que se encontra. Deus verá com bons olhos o bem que você fizer, e cada boa ação praticada apaga uma de suas faltas passadas. Está disposto a fazer isso?

R. - Se isso estiver nos propósitos do que devo fazer, sim.

P. Você ainda nutre algum sentimento de animosidade por ele?

- Não.

P. Como você vê o Sr. E. hoje?

R. - Como uma vítima, vítima da minha cegueira, da qual eu também fui vítima. Hoje eu o vejo assim.

P. Ele o admirava como seu comandante?

R. - Sim.

P. Irá admirá-lo ainda mais se puder contar com a sua ajuda, agora para que seja mais feliz. 

R. - Então eu o farei.    

P. Nós temos interesse em nos instruir, como você percebeu, e gostaríamos de entrevistá-lo para que pudesse nos ajudar a compreender a ação dos Espíritos sobre os fluidos, e os efeitos dessa ação sobre os homens. É um estudo que desejamos fazer e se você puder nos auxiliar, ficaremos gratos.

R. - Sim, poderei.

P. Então nós vamos preparar as perguntar e as faremos a você na próxima sessão.

R. - Eu responderei as perguntas, se me for possível.

P. Nós contamos com a ajuda dos nossos guias, que também vão inspirá-lo. Algo que queira nos dizer?

R. - Ainda necessito das orações, porque aceitando agora a tarefa de auxiliá-lo quero poder fazê-la da forma correta e com sucesso. 

P. Pois conte com as nossas preces, Ivan, e Deus lhe dará forças. Confie em Deus, em Jesus, nosso irmão maior; peça ajuda a esses bons Espíritos que nos assistem.

R. - Confiarei e pedirei. 

 

No dia 12 de novembro, após a leitura de uma comunicação publicada em O Céu e o Inferno - Segunda Parte - Exemplos, cap. III - Espíritos em condições medianas - Eric Stanislas, nós evocamos Ivan para nos ajudar a entender algumas questões que nos interessam, à luz da Ciência Espírita.

 

Evocação de Ivan.

- Estou aqui.

P. Está conosco desde o início? Gostaria de fazer algum comentário sobre a comunicação de Erick Stanislas, que lemos a fim de que você percebesse o que pode fazer um Espírito arrependido?

- Vejo agora que sempre uma oportunidade que Deus abre à nossa frente, com muitas possibilidades. E eu encontrei essa oportunidade que tem me ajudado.

P. Então você tem conseguido ter acesso ao Sr. E. quando ele se emancipa pelo sonho, desejo que manifestou em nosso último diálogo?

R. - Tenho, sim.

P. Ele o percebe com facilidade?

R. - Percebe.

P. Qual tem sido agora a reação dele em sua presença?

R. - Agora que me aproximo dele com outro sentimento, ele parou para ouvir o que eu desejava dizer a ele; parou para ouvir os meus pedidos de desculpas.

P. E ele aceitou?

R. - Sim. Embora no início ele tenha ficado um pouco desconfiado, talvez... Mas como dei a minha palavra, e ele sabe que se eu lhe der minha palavra eu a cumprirei, sei que está mais tranquilo com isso...

P. Você o encontrava nos sonhos, quando ainda tinha outros propósitos com relação a ele?

R. - Sim.

P. De que forma você agia sobre ele?

R. - Lembrava-o do que ocorrera naquela existência, fazia-o sentir-se bastante culpado, e dizia a ele que o perseguiria sempre, que não adiantava ele se esconder porque eu sabia onde ele estava e também onde estavam todos os outros... E assim despertava-lhe o medo.

 

Observação: essa revelação vem ao encontro do que acontecia com o Sr. E. com relação ao pânico que o tomava e que o fazia encurralar-se como que fugindo de uma perseguição. Ele dizia sempre: “eles vão me descobrir, eu os vejo.” Isso justifica o seu disfarce com óculos escuros e boné, quando era obrigado a sair à rua para fazer perícia médica.

 

P. Então a chamada síndrome do pânico era efeito desses diálogos?

R. - Penso que sim, porque ele sentia-se muito culpado. Pode-se perceber também um pouco dos efeitos provocados em uma guerra, do que se é capaz de fazer. Então eu só aumentava os seu tormentos internos.

 

Observação: nota-se aí os benefícios do esquecimento do passado em uma nova encarnação.

 

P. Você também agia sobre ele quando ele estava acordado?

R. - Agia

P. Ele o via?

R. - Sentia a minha presença, e se agitava.

P. Era isso que o levava a buscar se esconder numa espécie de fortaleza, uma vez que obrigou a mãe a colocar grades em portas e janelas, não saía de casa, não atendia ao telefone?

R. - Sim, com certeza.

P. Ainda a esse respeito teria algo que julgue importante dizer para a nossa instrução, algo que nos ajude a compreender melhor o caso?

R. - Agora, vendo de outra forma, eu percebo que se ele tivesse tido essa fé da qual vocês falam; se tivesse usado desse recurso que passaram a usar, que são as preces que fizeram por ele, teria evitado muito da minha ação sobre ele, porque houve um momento em que, mesmo eu me aproximando dele, não causava o mesmo efeito.

 

Observação: essa informação confirma a informação que nos foi dada logo acima pelos nossos Guias de que as nossas preces isolaram, de certa maneira, o Sr. E. de seu perseguidor.

 

P. Foi naquele período que ele ficou melhor?

R. - Sim.

P. Foi você o autor daquela possessão que o levou a ser levado de camisa-de-força para ser internado no hospital psiquiátrico?

R. - Não eu diretamente, mas sob o meu comando.

P. Era você que provocava alguns tipos de dores e enfermidades na prima do Sr. E., a Sra. C.?

R. - Sim.

P. E qual a razão? Estaria ela também entre os desertores?

R. - Não. Mas ela se preocupava com ele, também rezava por ele... Investi contra quem pudesse, de alguma forma, atrapalhar os meus planos.

 

Observação: A Sra. C. passou a sentir dores de cabeça e nas costas durante o período em que o grupo se ocupava no caso. Desconfiamos que aquelas dores poderiam ser provocadas pelos Espíritos, e Ivan confirma.

 

P. Ao que parece tem outros Espíritos que foram desertores, que agora estão encarnados, e que você também perseguia. É isso?

R. - Sim.

P. Você teria chance de dialogar com todos eles, e deseja fazer isso?

R. - Desejo sim, se me for permitido, pelo menos com aqueles aos quais mais prejudiquei.

P. Nós vamos pedir a Deus para que lhe conceda essa oportunidade.

R. - Eu agradeço.

P. Tem alguns deles que sofrem da síndrome do pânico?

R. - Não, sofrem outras perturbações. Agora eu poderia dizer que aqueles que não tinham fé, que não buscaram uma força maior, e que voltaram ao corpo com aquelas ideias infelizes, ressentem-se muito mais com o que se passou; é como se não conseguissem apagar aquelas lembranças da guerra, embora eu perceba que para aqueles que estão no corpo elas não são muito claras. No entanto, não deixam de perturbar.

 

P. Você percebe aqui o Espírito de Eric Stanislas, que escreveu a comunicação que lemos?

R. - Sim.

P. Ele poderá ajudar você de alguma forma?

R. - Já à sua chegada me inspirou ideias de boa vontade, ideias de esperança… e posso contar com ele.

P. Nós vamos preparar mais perguntas para o nosso próximo encontro, Ivan. E agradecemos, desde logo, por ter aceitado essa tarefa de nos instruir sobre esses assuntos.

R. - Eu agradeço porque posso ser útil.

Por psicofonia, em 12 de novembro de 2015.

 

Reproduzimos aqui a comunicação dada pelo Espíritos de Eric Stanislas:

Meus caros amigos, sou grato pela lembrança e pelo chamado.
Senti-me muito feliz ao participar de vossa sessão e deparar-me com um grande número de almas que vêm participar do vosso pequeno banquete espiritual; lembrei de quando pude eu comunicar-me na Sociedade Espírita de Paris e ser útil aos seus estudos; vejo que são muitos os que podem se beneficiar desta santa doutrina, destinada a demover o mal e a ignorância deste mundo.
Quero também falar-vos do arrependimento, que abre para a alma infeliz um novo caminho para a vida eterna, porque a leva às boas obras; o arrependimento sincero inaugura o tempo de felicidade e habilita o Espírito a fazer-se útil, na medida das suas forças, pois o leva a aproximar-se de Deus pelo cumprimento de suas leis.
É bem verdade o que dissestes, pois Deus não quer a extinção do pecador, mas a sua conversão; e posso dizer-vos que a festa preparada pelos Anjos para receber de volta aquele que se afastara da morada paterna, é mais bela do que podeis imaginar. De outra vez virei, se desejardes, comunicar-me convosco.

Eric Stanislas
Psicografada pelo Sr. R. L., em 12/11/2015.

 

Na sessão do dia 19 de novembro nós chamamos nosso amigo Ivan

 

Evocação de Ivan, em nome de Deus.

- Aqui estou.

P. É de bom grado que você vem, Ivan?

R. – Sim.

P. Poderia nos dizer com que tem se ocupado.

R. – Tenho buscado agora preocupar-me um pouco mais com o meu futuro, com aquilo que verdadeiramente preciso fazer.  E tenho, quando posso, visitado o Sr. E..

P. E o que você agora pensa sobre Deus?

R. – Que ele é bom e que é tudo isso que vocês vêm falando. Esse bom Deus que nos dá novas oportunidades, porque sem isso a vida não faria o menor sentido.

P. Tem se ocupado em planejar uma nova encarnação?

R. – Sim. Tenho pensado nesse futuro que falei, porque desejo fazer diferente, e tenho tido aqui muitas respostas; agora tenho me sentido mais em condição de pensar.

P. Que gênero de prova você escolheria? Já pensou nisso?

R. – Penso que talvez eu devesse fugir um pouco das coisas que poderiam me levar a ter algum tipo de poder, de dominação, porque ainda trago viva essa paixão em mim. Eu poderei usar a meu favor a determinação, como tenho sido aconselhado, que não posso desconsiderar em mim, para avançar.

P. Você encarnou muitas vezes no meio militar, Ivan?

R. – Sim.

P. Muito aprendizado se tira nessas lidas, não?

R. – Tira-se. Mas tenho pensado que a vida não é só disciplina; existem outras virtudes que é preciso desenvolver, e sei que a disciplina me ajudará a desenvolvê-las.

P. Nós desejamos que Deus lhe dê forças, e se pudermos continuaremos orando para que tenha êxito na nova prova que vai encarar.

R. – Eu agradeço. Tenho visto, aqui mesmo, Espíritos que vêm buscar nos estudos, nas lições, forças para enfrentar uma nova oportunidade no corpo. Alguns têm se recomendado às preces a fim de não falharem mais.

P. Que bom. Agora vamos falar um pouco sobre o Sr. E.. Você nos disse que o tem visitado. Poderia nos dizer se tem dialogado com ele durante o sono e como tem sido esses diálogos?

R. – Sim. Tenho, na medida do possível, encontrado com ele e lhe falado sobre algumas coisas que agora vejo de um ponto de vista diferente. Tenho dito a ele que busque não perder essa oportunidade e que coloque, definitivamente, um ponto final no passado infeliz, e que perdoe os meus atos.

P. Você o vê mais animado quando o visita?

R. – Tenho-o visto com outra disposição de ânimo.

 

Sobre o medo do Sr. E. de ser novamente internado

 

P. Consegue perceber a causa do medo que ele ainda sente de ser novamente internado no hospital psiquiátrico?

R. – Lembranças, eu penso. Lembranças…

P. As lembranças do sofrimento que ele passou quando internado?

R. – Sim.

P. Saberia dizer se os medicamentos dados, ou a situação do ambiente hospitalar, favoreciam a sua ação sobre  ele? Se sim, de que maneira?

R. – Sim. Favoreciam porque aquele ambiente, junto com os medicamentos que o deixavam mais fragilizado, me permitiam uma ação mais intensa; sob o efeito dos medicamentos seus pensamentos como que flutuavam muito mais, então eu podia fazer com que ele percebesse mais intensamente a minha presença, o que o perturbava, com certeza.

P. Como lhe parece o ambiente espiritual desses hospitais?

R. – Terrível! Terrível!

P. Você sabe das nossas lutas aqui no corpo e do nosso desejo sincero de nos instruir com os Espíritos. Poderia, pela visão espiritual com que nos observa, dizer algo que sirva para nossa instrução?

R. – Eu penso que não tenho essa condição, mas o que posso dizer que vejo aqui é que, quando vocês colocam nas reuniões uma vontade firme de fato, é como se dessem-se as mãos com muita força, e aí as coisas acontecem de forma mais fácil e tranquila. É como se, como dizem, fechassem as portas e deixassem a possibilidade de interação somente aos Espíritos que querem ajudá-los. É o que eu vejo.

P. Essa sua observação é importante para nós, vamos ficar mais atentos a isso. Nós agradecemos, Ivan.

R. – Eu agradeço a vocês, pois sem esta oportunidade eu certamente ainda estaria perdido, não teria nem cogitado sobre Deus, nem que ele abre as portas a todos aqueles que querem recomeçar; também não reconheceria esses Espíritos que estão bem acima de mim. Por isso eu agradeço.

P. Assim é que nós entendemos o amor de Deus por nós, porque essa oportunidade com certeza foi ele que providenciou para todos nós.

R. – Sim. Agora vou embora.

P. Que Deus o abençoe sempre.

 

Colocamos aqui algumas notícias trazidas ao longo do tempo pela Sra. C., sobre o estado do Sr. E., o que prova que ele realmente foi curado da Síndrome do Pânico causada por uma obsessão levada a efeito por um inimigo invisível.


No dia 18 de fevereiro de 2016, a Sra. C. falou com sua tia, mãe do Sr. E., e nos contou: "ela disse que ele está muito bem, quer ajudá-la nos serviços de casa, mas ela ainda não confia que ele possa auxiliar. Quando a tia me contou que o irmão havia levado o E. para visitar o pai, que está doente, ele a corrigiu dizendo: ele foi comigo; me levar, não.

 

Observação: o fato de o Sr. E. dizer que não foi levado, como era antes, mas sim acompanhado, já denota significativa melhora em seu estado.

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No dia 10 de março de 2016, contou-nos que fora visitar a tia e o primo e nos disse que eles estão muito bem. O Sr. E. foi com ela visitar o pai dele que, sofreu um AVC e está parcialmente paralisado. Disse que o Sr. E., ao observar o pai, falou: “Ele está rodeado de Anjos…”

Mesmo estando muito bem, o Sr. E. ainda teme uma nova internação, e disse para a prima que não quer mais voltar para aquele lugar, que para ele é horrível.

 

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No dia 10 de janeiro de 2017, a Sra. C. ligou para a casa da tia e quem atendeu foi o Sr. E. Falou com naturalidade com a prima e disse estar muito bem. Seu estado de saúde está normal. Agora está sempre trabalhando, ajudando a mãe, e já não fala mais em internações.

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No dia 26 de setembro de 2017, uma filha da Sra. C. disse que encontrou o Sr. E. na rua. Ele a reconheceu, embora não a visse há muito tempo, e cumprimentou-a com um sorriso nos lábios. Ela disse que não dá para dizer que se trata do mesmo homem que passou quase vinte anos trancafiado em casa, sob o império do medo.

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Como se pode ver, a principal causa dos transtornos psicológicos sofridos durante quase duas décadas pelo Sr. E. era a obsessão levada a efeito por um Espírito. Moralizado o Espírito, o Sr. E. ficou livre da chamada Síndrome do pânico. Esse é um dos exemplos do que se pode fazer com os recursos que a Ciência Espírita nos oferece.

Reproduzimos aqui as palavras do nosso querido mestre Allan Kardec, que sempre tem nos assistido nas curas de obsessões:

"Não levando em conta o elemento espiritual, a Ciência se acha impotente para resolver uma porção de fenômenos, e cai no absurdo de querer tudo atribuir ao elemento material. É sobretudo na Medicina que o elemento espiritual representa um papel importante. Quando os médicos o levarem em consideração, enganar-se-ão menos do que agora. Aí terão uma luz que os guiará mais seguramente no diagnóstico e no tratamento das moléstias."[6]

           

Às pessoas que ainda poderiam ver perigo na evocação dos Espíritos, lembramos aqui o que foi dito a esse respeito no Livro dos Médiuns

P. Que se deve pensar dos que, vendo um perigo qualquer no Espiritismo, creem que o meio de preveni-lo seria proibir as comunicações espíritas?

R. - ”Se podem proibir a certas pessoas que se comuniquem com os Espíritos, não podem impedir que manifestações espontâneas sejam feitas a essas mesmas pessoas, porque não podem suprimir os Espíritos, nem lhes impedir que exerçam sua influência oculta. Esses tais se assemelham às crianças que tapam os olhos e ficam crentes de que ninguém as vê. Seria loucura querer suprimir uma coisa que oferece grandes vantagens, só porque imprudentes podem abusar dela; o meio prevenir esses inconvenientes consiste, ao contrário, em torná-la conhecida a fundo.[7]

 

Publicamos este caso com o objetivo de mostrar o que se pode fazer para auxiliar o nosso próximo que sofre, ainda mesmo quando não o conheçamos pessoalmente, ao mesmo tempo em que nos instruímos sobre as leis de Deus aplicadas aos indivíduos.

A publicação tem ainda o objetivo de evidenciar os efeitos da prece, sempre ao alcance de todos, e que tantos benefícios podem levar aos que sofrem. Sabemos que as pessoas de boa vontade pedirão a Deus pelo Espírito de Ivan e por tantos outros Espíritos arrependidos, mesmo que desconhecidos, com a certeza de que Deus os conhece.

 

Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec

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[1] A Gênese A Gênese segundo o Espiritismo, cap. III - O bem e o mal - Origem do bem e do mal, itens 1 a 10.

[2] O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor, itens 8 a 10.

[3] Allan Kardec. A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XIV - Os fluidos - II - Explicação de alguns fenômenos considerados sobrenaturais - Obsessões e possessões, item 46

[4] São Bento, Revista Espírita, fevereiro de 1866 - O naufrágio do Borysthene

[5] O Livro dos Espíritos - Parte Terceira - Das leis morais, cap. XII - Da perfeição moral - As paixões, item 908.

[6] Revista Espírita de julho de 1861, do artigo "Ensaio sobre a teoria das alucinações

[7] Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores - Segunda parte - Das manifestações espíritas, cap. XXIII - Da obsessão - Meios de a combater, item 254.

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