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ALLAN KARDEC
O QUE √Č O ESPIRITISMO
A SOCIEDADE ESP√ćRITA DE PARIS - SPEE
OBRAS DE ALLAN KARDEC
HIST√ďRIA DO ESPIRITISMO
ROTEIROS DE ESTUDOS - IPEAK
Membros honor√°rios

Membros honorários da Sociedade de Paris


Para testemunhar sua simpatia e gratidão às pessoas que prestam serviços relevantes e efetivos à causa do Espiritismo, por seu zelo, seu devotamento e seu desinteresse, e que, se necessário, pessoalmente se expõem ao perigo, a Sociedade Espírita de Paris lhes confere o título de membro honorário. Ela tem, assim, o prazer de reconhecer o concurso que dão à obra comum os chefes e fundadores de Sociedades ou grupos que se colocam sob a mesma bandeira e que são dirigidos conforme os princípios do Espiritismo sério, a fim de obterem resultados morais. Os motivos que a guiam são menos as palavras do que os atos. Eles existem não só em várias cidades da França e da Argélia, mas também na Itália, na Espanha, na Áustria, na Polônia, em Constantinopla, na América, etc.

O Sr. Dombre, de Marmande, que desde quando iniciou no Espiritismo não cessou de ser abertamente seu propagandista e defensor, merecia essa distinção. Anunciando-lhe a sua nominação, nós lhe havíamos pedido licença para publicar sua carta ao Padre F... (Ver artigos do mês anterior). Sua resposta merece citação, pois mostra de que maneira certos adeptos compreendem o seu papel:

 

“Marmande, 10 de agosto de 1862.

“Sr. Allan Kardec,

“Aceito, reconhecido, o título de membro honorário da Sociedade Espírita de Paris. Para corresponder a uma tal distinção, que representa um compromisso, e ao testemunho de simpatia de parte dos membros dessa Sociedade que houveram por bem conferir-me o título, farei sempre e por toda parte esforços para ajudar, na medida de meus meios, na propagação de uma doutrina que me faz feliz aqui na Terra e que fará, também, em tempo mais remoto, a daqueles que querem ainda conservar sobre os olhos a venda da incredulidade.

“Não vejo qualquer obstáculo ou inconveniente na publicação de minha resposta ao diretor do Abeille Agénaise e de minha carta ao Padre F... Minha carta a este último foi assinada: Um católico. Penso que nenhum dos leitores da Revista irá pensar que o autor tenha querido esconder-se no anonimato, pois o temor do julgamento dos homens não tem ascendência sobre mim. Rio dos que riem, porque estou com a verdade. Todo bom espírita deve, pelo exemplo, dar energia aos adeptos tímidos e lhes ensinar a manter alto e firme o estandarte de sua crença.

“Queira, senhor, apresentar meus sinceros agradecimentos à honrada Sociedade, da qual me felicito por fazer parte e aceitar, etc.

“DOMBRE, proprietário”

 

Hoje diminuiu singularmente o medo do que os outros poderiam dizer, no que concerne ao Espiritismo, e o número dos que ocultam sua opinião é mínimo. Está reduzido àqueles que temem perder o emprego que os permite viver, e nesse número há muito mais padres do que se pensa. Pessoalmente conhecemos mais de cem.

Nada obstante, notamos em todas as posições sociais, entre os funcionários públicos, oficiais de todas as patentes, médicos, etc., muita gente que há apenas um ano não se teriam declarado espíritas e que hoje sentem-se honrados ao fazê-lo. Essa coragem de opinião, que enfrenta a troça, tem como primeira consequência encorajar os tímidos; depois, mostrar que o número dos adeptos é maior do que se supunha; finalmente, impor silêncio aos galhofeiros, surpreendidos ao ouvir, por todos os lados, a palavra Espiritismo pronunciada por pessoas que a gente encara duas vezes antes de fazer troça. Assim, observa-se que os brincalhões, de algum tempo para cá, baixaram a voz. Mais alguns anos como os que decorreram e seu papel estará findo, porque, por todos os lados ver-se-ão vencidos pela opinião.

O Sr. Dombre não só tem a coragem da opinião. Ele tem a da ação. Ele ocupa resolutamente o espaço e enfrenta os seus adversários, provocando-os à discussão, e eis que um jornalista se recusa, revelando a sua fraqueza, e um pregador, ao qual é feito o melhor oferecimento de uma ocasião para fazer valer os seus argumentos e dar uma cajadada na doutrina, vai saindo com a desculpa de que não tem tempo para responder. Não é uma deserção da batalha? Se ele estivesse seguro de si, e se a religião estivesse em jogo, por que não permanecer para vencer o adversário? Em casos tais, abandonar a partida é perdê-la. Um pregador tem uma vantagem imensa sobre um advogado. É que ele fala sem contraditor. Ele pode dizer o que quiser, e ninguém o refuta. Ao que parece, tal é a maneira pela qual os adversários do Espiritismo entendem a controvérsia.

No momento, o Sr. Dombre não foi o único a se manter sereno. Bordeaux, Lyon e muitas outras cidades menos importantes, até mesmo numerosas aldeias nos ofereceram muitos exemplos, que se multiplicam diariamente. Por toda  parte onde os adeptos mostraram firmeza e energia, os antagonistas moderaram os seus impulsos.

Até agora essa coragem de opinião e de ação é muito mais encontrada nas classes médias e obscuras que nas elevadas, mas, se um homem popular, justamente estimado e honrado, influente por seus talentos, posição ou classe, abraça a causa do Espiritismo e ergue a sua bandeira abertamente, ousariam taxar de louco aquele cujo talento e gênio foram exaltados? Sua voz não imporá silêncio aos clamores da incredulidade? Então! Esse homem surgirá, vo-lo garanto. À sua voz os dissidentes se unirão, cedendo à influência de sua autoridade moral. Ele também terá sua missão providencial, como a de todos aqueles que ajudam o avanço da Humanidade; missão geral como tantas outras particulares e locais. Estas últimas, embora mais modestas, não deixam de ter um valor relativo, porque preparam os caminhos. É então que o Espiritismo entrará de velas pandas nos costumes e os modificará profundamente, porque em tudo as ideias serão diferentes. Nós semeamos e ele colherá, ou melhor, eles colherão, porque muitos outros seguirão o seu exemplo.

Espíritas, semeai, semeai muito, para que a colheita seja mais abundante e mais fácil. O passado vos garante o futuro! (Revista Espírita, outubro de 1862) 

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