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(Reunião particular. 25 de fevereiro de 1863)

(Médium, Sr. d’Ambel)

 

Há no momento uma recrudescência de obsessão, resultado da luta que inevitavelmente devem sustentar as ideias novas contra seus adversários encarnados e desencarnados. Habilmente explorada pelos inimigos do Espiritismo, a obsessão é uma das provas mais perigosas que ele terá de sofrer, antes de se fixar de maneira estável no espírito das populações, por isto deve ser combatida por todos os meios possíveis, e sobretudo pela prudência e pela energia de vossos guias espirituais e terrestres.

De todos os lados surgem médiuns com supostas missões, chamados, ao que dizem, a tomar em mãos a bandeira do Espiritismo e plantá-la sobre as ruínas do velho mundo, como se nós viéssemos destruir, nós que viemos apenas para construir.

Não há individualidade, por medíocre que seja, que não tenha encontrado, como Macbeth, um Espírito para lhe dizer: “Tu também serás rei”, e que não se julgue designada a um apostolado muito especial.

Há poucas reuniões íntimas, e mesmo grupos familiares, que não tenham contado entre os seus médiuns ou seus simples crentes, uma alma bastante enfatuada para se julgar indispensável ao sucesso da grande causa; muito presunçosa para contentar-se com o modesto papel do obreiro que traz a sua pedra para o edifício. Ah! meus amigos! Quanto empenho por pouco resultado!

Quase todos os novos médiuns, em seu início, são submetidos a essa perigosa tentação. Alguns resistem a isso, mas muitos sucumbem, ao menos por algum tempo, até que sucessivos revezes venham desiludi-lo.

Por que permite Deus uma prova tão difícil, senão para provar que o bem e o progresso jamais se estabelecem em vosso íntimo sem trabalho e sem combate; senão para tornar o triunfo da verdade mais brilhante pelas dificuldades da luta? O que querem certos Espíritos da erraticidade, fomentando entre as mediocridades da encarnação essa exaltação do amor-próprio e do orgulho, senão entravar o progresso? Sem o querer, eles são os instrumentos da provação que porá em evidência os bons e os maus servos de Deus. A este, tal Espírito promete o segredo da transmutação dos metais, como a um médium de R...; àquele, como ao Sr..., um Espírito revela supostos acontecimentos que vão realizar-se, fixa as épocas, precisa as datas, nomeia os atores que devem concorrer ao drama anunciado; a tal outro, um Espírito mistificador ensina a incubação dos diamantes; a outros ainda indicam tesouros ocultos, prometem fortuna fácil, descobertas maravilhosas, a glória, as honrarias, etc. Numa palavra, todas as ambições e todas as cobiças dos homens são habilmente exploradas por Espíritos perversos. Eis por que de todos os lados vedes esses pobres obsedados preparando-se para subir ao Capitólio, com uma gravidade e uma arrogância que entristecem o observador imparcial.

Qual o resultado de todas essas promessas falaciosas? As decepções, os dissabores, o ridículo, por vezes a ruína, justa punição do orgulho presunçoso que se julga chamado a fazer melhor que todo mundo, desdenha os conselhos e desconhece os verdadeiros princípios do Espiritismo.

Tanto é a modéstia o apanágio dos médiuns escolhidos pelos bons Espíritos, quanto o orgulho, o amor-próprio e, digamo-lo, a mediocridade são os caracteres distintivos dos médiuns inspirados pelos Espíritos inferiores. Tanto os primeiros desprezam as comunicações que recebem, quando estas se afastam da verdade, quanto os últimos mantêm contra todos a superioridade do que lhes é ditado, mesmo que seja um absurdo.

Daí resulta que, conforme as palavras pronunciadas na Sociedade de Paris, por seu presidente espiritual, São Luís, uma verdadeira Torre de Babel está em vias de edificar-se entre vós. Aliás, fora preciso ser cego ou iludido para não reconhecer que à cruzada dirigida contra o Espiritismo pelos adversários natos de toda doutrina progressista e libertadora, se junta uma cruzada espiritual, dirigida por todos os Espíritos pseudossábios, falsos grandes homens, falsos religiosos e falsos irmãos da erraticidade, fazendo causa comum com os inimigos terrestres, em meio a essa multidão de médiuns por eles fanatizados, aos quais ditam tantas elucubrações mentirosas.

Mas vede o que resta de todos esses andaimes erigidos pela ambição, pelo amor-próprio e pela inveja. Quantos não vistes desabar e quantos ainda vereis desabar! Eu vos digo que todo edifício que não se assenta sobre a verdade, a única base sólida, cairá, porque só a verdade pode desafiar o tempo e triunfar de todas as utopias.

Espíritas sinceros, não vos amedronteis com o caos momentâneo. Não está longe o momento em que a verdade, desvencilhada dos véus com os quais querem cobri-la, sairá mais radiosa do que nunca, e em que a sua claridade, inundando o mundo, fará voltarem para a sombra seus obscuros detratores, por um instante postos em evidência para a sua própria confusão.

Assim, pois, meus amigos, tendes que vos defender, não só contra os ataques e calúnias de vossos adversários vivos, mas também contra as manobras ainda mais perigosas dos adversários da erraticidade. Fortalecei-vos, pois, em estudos sadios, e sobretudo pela prática do amor e da caridade, e retemperai-vos na prece. Deus sempre ilumina os que se consagram à propagação da verdade, quando agem de boa-fé e desprovidos de toda ambição pessoal.

Além disso, espíritas, que vos importam os médiuns que, afinal de contas, não passam de instrumentos! O que deveis considerar é o valor e o alcance dos ensinamentos que vos são dados; é a pureza da moral que vos é ensinada; é a clareza e a precisão das verdades que vos são reveladas; é, enfim, ver se as instruções que vos dão correspondem às legítimas aspirações das almas de escol, e se estão em conformidade com as leis gerais e imutáveis da lógica e da harmonia universal.

Os Espíritos imperfeitos, que representam um papel de apóstolo junto a seus obsedados, bem sabeis, não têm o menor escrúpulo em enfeitar-se com os mais venerados nomes; assim, seria um disparate se eu, que sou um dos últimos e mais obscuros discípulos do Espírito de Verdade, me lamentasse do abuso que alguns fizeram de meu modesto nome; assim, repetirei incessantemente o que dizia a meu médium, há dois anos: “Jamais julgueis uma comunicação mediúnica pelo nome que a assina, mas apenas por seu conteúdo intrínseco.”

É urgente que vos ponhais em guarda contra todas as publicações de origem suspeita que aparecem ou que vão aparecer, contra todas aquelas que não teriam uma atitude franca e clara, e tenhais como certo que muitas são elaboradas nos campos inimigos do mundo visível ou do mundo invisível, com o objetivo de lançar entre vós o facho da discórdia.

Cabe a vós não vos deixardes apanhar, pois tendes todos os elementos necessários para apreciá-las. Mas, tende igualmente como certo que todo Espírito que a si mesmo se anuncia como um ser superior, e sobretudo como de uma infalibilidade a toda prova, é, ao contrário, o oposto do que se anuncia tão pomposamente.

Desde que o piedoso Espírito de François-Nicolas Madeleine teve a bondade de me aliviar de uma parte de meu fardo espiritual, pude considerar o conjunto da obra espírita e fazer a estatística moral dos obreiros que trabalham na vinha do Senhor. Ah! Se tantos Espíritos imperfeitos se imiscuem na obra que perseguimos, tenho o pesar maior de constatar que entre os nossos melhores auxiliares da Terra, muitos vergaram ao peso de sua tarefa e pouco a pouco tomaram a trilha de suas antigas fraquezas, de tal sorte que as grandes almas etéreas que os aconselhavam foram, desde então, substituídas por Espíritos menos puros e menos perfeitos.

Ah! Eu sei que a virtude é difícil, mas nem queremos nem pedimos o impossível. Basta-nos a boa vontade, quando acompanhada do desejo de fazer o melhor.

Meus amigos, em tudo o relaxamento é pernicioso, porque muito será pedido aos que, depois de se terem elevado por uma renúncia generosa à sua própria individualidade, caírem no culto da matéria, e ainda se deixarem invadir pelo egoísmo e pelo amor a si mesmos. Não obstante, oramos por eles e a ninguém condenamos, porque sempre devemos ter presente na memória este ensino magnífico do Cristo: “O que estiver sem pecado atire a primeira pedra.”

Hoje vossas falanges engrossam a olhos vistos e vossos partidários se contam aos milhões. Ora, em razão do número de adeptos, deslizam sob falsas máscaras os falsos irmãos dos quais ultimamente vos falou vosso presidente temporal. Não que eu venha recomendar-vos que não sejam abertas vossas fileiras senão às ovelhas sem mancha e as novilhas brancas; não, porque, mais que todos os outros, os pecadores têm direito de encontrar entre vós um refúgio contra suas próprias imperfeições. Mas aqueles dos quais vos aconselho que desconfieis são esses hipócritas perigosos, aos quais, à primeira vista, se é tentado e conceder toda a confiança. Com o auxílio de uma atitude rígida, sob o olho observador das massas, eles conservam esse ar sério e digno que leva a dizerem deles: “Que criaturas respeitáveis!” ao passo que, sob essa respeitabilidade aparente, por vezes se dissimulam a perfídia e a imoralidade.

Eles são acessíveis, obsequiosos, cheios de amenidades; eles insinuam-se nos interiores; eles entram voluntariamente na vida privada; eles escutam atrás das portas e se fazem surdos para escutar melhor; eles pressentem as inimizades, atiçam-nas e as alimentam; eles vão aos campos opostos, indagando, interrogando sobre cada um. O que faz este? De que vive aquele? Quem é fulano? Conheceis sua família? Depois os vereis ir surdamente desfilar na sombra as pequenas maledicências que conseguiram recolher, tendo o cuidado de envenená-las com untuosas calúnias. “São rumores em que a gente não acredita”, dizem eles, mas acrescentam: “Onde há fumaça há fogo, etc., etc.”

A esses tartufos da encarnação reuni os tartufos da erraticidade e vereis, meus caros amigos, quanto tenho razão de vos aconselhar a agir, de agora em diante, com extrema reserva e de vos guardardes de toda imprudência e de todo entusiasmo irrefletido.

Eu vo-lo disse, estais num momento de crise, dificultado pela malevolência, mas do qual saireis mais fortes, com firmeza e perseverança.

O número dos médiuns é hoje incalculável e é desagradável ver que alguns se julgam os únicos chamados a distribuir a verdade ao mundo e se extasiam ante banalidades que consideram monumentos, pobres iludidos que se abaixam ao passar sob os arcos de triunfo, como se a verdade tivesse esperado a sua vinda para ser anunciada. Nem o forte, nem o fraco, nem o instruído, nem o ignorante tiveram esse privilégio exclusivo, porquanto foi por intermédio de mil vozes desconhecidas que a verdade se espalhou, e é justamente por essa unanimidade que ela soube ser reconhecida.

Contai essas vozes; contai os que as escutam; contai sobretudo aqueles cujos corações elas tocam, se quiserdes saber de que lado está a verdade.

Ah! Se todos os médiuns tivessem fé! Eu seria o primeiro a inclinar-me diante deles. Mas eles não têm, na maior parte do tempo, senão fé em si mesmos, tão grande é o orgulho na Terra! Não, sua fé não é aquela que transporta montanhas e que faz andar sobre as águas! É o caso de repetir aqui a máxima evangélica que me serviu de tema quando me fiz ouvir pela primeira vez entre vós: Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.

Em suma, publicações à direita, publicações à esquerda, publicações por toda parte, pró ou contra, em todos os sentidos e sob todas as formas; críticas exageradas da parte de pessoas que dele nada sabem; sermões fogosos de pessoas que o temem; em suma, digo eu, o Espiritismo está na ordem do dia. Ele revolve todos os cérebros e agita todas as consciências, privilégio exclusivo das grandes coisas. Todos pressentem que ele leva em si o princípio de uma renovação, que uns apoiam com os seus votos e outros temem.

Mas, de tudo isto, o que restará? Desta Torre de Babel o que jorrará? Uma coisa imensa: a vulgarização da ideia espírita, e como doutrina, o que será verdadeiramente doutrinário!

Esse conflito é inevitável, porque o homem é manchado de muito orgulho e egoísmo para aceitar sem oposição uma verdade nova qualquer. Digo mesmo que esse conflito é necessário, porque é o atrito que desfaz as ideias falsas e faz ressaltar a força das que resistem.

Em meio a essa avalanche de mediocridades, de impossibilidades e de utopias irrealizáveis, a verdade esplêndida espalhar-se-á na sua grandeza e na sua majestade.

 

ERASTO


(Réunion particulière. 25 février 1863. – Médium, M. d'Ambel.)

Il y a dans le moment actuel une recrudescence d'obsession, résultat de la lutte que doivent inévitablement soutenir les idées nouvelles contre leurs adversaires incarnés et désincarnés. L'obsession, habilement exploitée par les ennemis du Spiritisme, est une des épreuves les plus périlleuses qu'il aura à subir avant de s'asseoir d'une manière stable dans l'esprit des populations, aussi doit-elle être combattue par tous les moyens possibles, et surtout par la prudence et l'énergie de vos guides spirituels et terrestres.

De toutes parts il surgit des médiums à prétendues missions, appelés, disent-ils, à prendre en mains la bannière du Spiritisme et à la planter sur les ruines du vieux monde, comme si nous venions détruire, nous qui ne venons que pour édifier. Il n'est pas d'individualité, si médiocre soit-elle, qui n'ait trouvé, comme Macbeth, un Esprit pour lui dire: « Toi aussi, tu seras roi, » et qui ne se croie désignée à un apostolat tout particulier; il est peu de réunions intimes, et même de groupes de famille qui n'aient compté parmi leurs médiums ou leurs simples croyants une âme assez infatuée d'elle-même pour se croire indispensable au succès de la grande cause, trop présomptueuse pour se contenter du modeste rôle d'ouvrier apportant sa pierre à l'édifice. Hélas! mes amis, que de mouches du coche!

Presque tous les nouveaux médiums sont soumis, pour leur début, à cette tentation dangereuse; quelques-uns y résistent, mais beaucoup y succombent, au moins pour un temps, jusqu'à ce que des échecs successifs viennent les désabuser. Pourquoi Dieu permet-il une épreuve aussi difficile, sinon pour prouver que le bien et le progrès ne s'établissent jamais chez vous sans peine et sans combat, pour rendre le triomphe de la vérité plus éclatant par les difficultés de la lutte? Et que veulent certains Esprits de l'erraticité en fomentant parmi les médiocrités de l'incarnation cette exaltation de l'amour-propre et de l'orgueil, sinon entraver le progrès? Sans le vouloir, ils sont les instruments de l'épreuve qui mettra en évidence les bons et les mauvais serviteurs de Dieu. A celui-ci, tel Esprit promet le secret de la transmutation des métaux, comme à un médium de R…; à celui-là, comme à M…, un Esprit révèle de prétendus événements qui vont s'accomplir, il fixe les époques, précise les dates, nomme les acteurs qui doivent concourir au drame annoncé; à tel autre, un Esprit mystificateur enseigne l'incubation des diamants; à d'autres on indique des trésors cachés, on promet une fortune facile, des découvertes merveilleuses, la gloire, les honneurs, etc.; en un mot, toutes les ambitions et toutes les convoitises des hommes sont exploitées adroitement par les Esprits pervers. C'est pourquoi de tous côtés vous voyez ces pauvres obsédés s'apprêter à monter au Capitole avec une gravité et une importance qui attristent l'observateur impartial. Quel est le résultat de toutes ces promesses fallacieuses? Les déceptions, les déboires, le ridicule, parfois la ruine, juste punition de l'orgueil présomptueux qui se croit appelé à faire mieux que tout le monde, dédaigne les conseils et méconnaît les véritables principes du Spiritisme.

Autant la modestie est l'apanage des médiums choisis par les bons Esprits, autant l'orgueil, l'amour-propre et, disons-le, la médiocrité sont les côtés distinctifs des médiums inspirés par les Esprits inférieurs; autant les premiers font bon marché des communications qu'ils reçoivent quand celles-ci s'écartent de la vérité, autant les seconds maintiennent contre tous la supériorité de ce qui leur est dicté, fût-ce même absurde. Il en résulte que, selon les paroles prononcées à la Société de Paris par son président spirituel, saint Louis, une véritable tour de Babel est en train de s'édifier parmi vous. Du reste, il faudrait être aveugle ou abusé pour ne pas reconnaître qu'à la croisade dirigée contre le Spiritisme par les adversaires-nés de toute doctrine progressive et émancipatrice, se joint une croisade spirituelle, dirigée par tous les Esprits faux savants, faux grands hommes, faux religieux et faux frères de l'erraticité, faisant cause commune avec les ennemis terrestres au moyen de cette multitude de médiums fanatisés par eux, et auxquels ils dictent tant d'élucubrations mensongères. Mais voyez ce qui reste de tous ces échafaudages élevés par l'ambition, l'amour-propre ou la jalousie; combien n'en avez-vous pas vu crouler, et combien vous en verrez crouler encore! Je vous le dis, tout édifice qui n'est pas assis sur la seule base solide: la vérité, tombera, parce que la vérité seule peut défier le temps et triompher de toutes les utopies. Spirites sincères, ne vous effrayez donc pas de ce chaos momentané; le temps n'est pas éloigné où la vérité, débarrassée des voiles dont on veut la couvrir, en sortira plus radieuse que jamais, et où sa clarté, inondant le monde, fera rentrer dans l'ombre ses obscurs détracteurs un instant mis en évidence pour leur propre confusion.

Ainsi donc, mes amis, vous avez à vous défendre non-seulement contre les attaques et les calomnies de vos adversaires vivants, mais aussi contre les manœuvres plus dangereuses encore de vos adversaires de l'erraticité. Fortifiez-vous donc par de saines études et surtout par la pratique de l'amour et de la charité, et retrempez-vous dans la prière. Dieu éclaire toujours ceux qui se consacrent à la propagation de la vérité quand ils sont de bonne foi et dépourvus de toute ambition personnelle.

Au surplus, Spirites, que vous importent les médiums qui ne sont, après tout, que des instruments! Ce qu'il vous faut considérer, c'est la valeur et la portée des enseignements qui vous sont donnés; c'est la pureté de la morale qui vous est enseignée; c'est la netteté et la précision des vérités qui vous sont révélées; c'est, enfin, de voir si les instructions qu'on vous donne répondent aux légitimes aspirations des âmes d'élite et si elles sont conformes aux lois générales et immuables de la logique et de l'harmonie universelles.

Les Esprits imparfaits qui jouent un rôle d'apôtre près de leurs obsédés ne se font, vous le savez, aucun scrupule de se parer des noms les plus vénérés; aussi aurais-je mauvaise grâce, moi qui ne suis qu'un des derniers et des plus obscurs disciples de l'Esprit de vérité, si je me plaignais de l'abus que quelques-uns ont fait de mon modeste nom; aussi, vous répéterai-je sans cesse ce que je disais à mon médium il y a deux ans: « Ne jugez jamais une communication médianimique en raison du nom dont elle est signée, mais seulement sur sa valeur intrinsèque. »

Il est urgent de vous tenir en garde contre toutes les publications d'origine suspecte qui paraissent ou qui vont paraître, contre toutes celles qui n'auraient pas une allure franche et nette, et tenez pour certain que plus d'une est élaborée dans les camps ennemis du monde visible ou du monde invisible en vue de jeter parmi vous des brandons de discorde. C'est à vous de ne pas vous y laisser prendre; vous avez tous les éléments nécessaires pour les apprécier. Mais tenez également pour certain que tout Esprit qui s'annonce lui-même comme un être supérieur, et surtout comme d'une infaillibilité à toute épreuve n'est, au contraire, que l'opposé de ce qu'il annonce si pompeusement. Depuis que le pieux Esprit de François-Nicolas Madeleine a bien voulu me débarrasser d'une partie de mon fardeau spirituel, j'ai pu considérer l'ensemble de l'œuvre spirite, et faire la statistique morale des ouvriers qui travaillent à la vigne du Seigneur. Hélas! si beaucoup d'Esprits imparfaits s'immiscent à l'œuvre que nous poursuivons, j'ai un bien plus grand regret de constater que parmi nos meilleurs aides de la terre, beaucoup ont fléchi sous le poids de leur tâche, et ont repris petit à petit le sentier de leurs anciennes faiblesses, de telle sorte qu'aux grandes âmes éthérées qui les conseillaient se sont dès lors substitués des Esprits moins purs et moins parfaits. Ah! je sais que la vertu est difficile; mais nous ne voulons ni ne demandons l'impossible. La bonne volonté nous suffit quand elle est accompagnée du désir de mieux faire. En tout, mes amis, le relâchement est pernicieux; car il sera beaucoup demandé à ceux qui, après s'être élevés par un renoncement généreux à leur propre individualité, seront retombés dans le culte de la matière, et se seront encore laissé envahir par l'égoïsme et l'amour deux-mêmes. Néanmoins, prions pour eux et ne condamnons personne: car nous devons toujours avoir présent à la mémoire ce magnifique enseignement du Christ: « Que celui qui est sans péché lui jette la première pierre! »

Aujourd'hui, vos phalanges grossissent à vue d'œil, et vos partisans se comptent par millions. Or, en raison du nombre des adeptes, se glissent sous de faux masques les faux frères dont votre président temporel vous a entretenus dernièrement. Ce n'est pas que je vienne vous recommander de n'ouvrir vos rangs qu'aux agneaux sans tache et aux génisses blanches; non, parce que, plus que tous autres, les pécheurs ont droit de trouver parmi vous un refuge contre leurs propres imperfections. Mais ceux dont je vous engage à vous méfier sont ces hypocrites dangereux auxquels, à première vue, on est tenté d'accorder toute confiance. A l'aide d'une tenue rigide, sous l'œil observateur des foules, ils conservent cet air grave et digne qui fait dire d'eux: « Quelles gens respectables! » tandis que sous cette respectabilité apparente se dissimulent parfois la perfidie et l'immoralité. Ils sont liants, obséquieux, pleins d'aménité; ils se faufilent dans les intérieurs; fouillent volontiers dans la vie privée; ils écoutent derrière les portes et font les sourds pour mieux entendre; ils pressentent les inimitiés, les attisent et les entretiennent; ils vont dans les camps opposés questionnant et interrogeant sur chacun. Que fait celui-ci? De quoi vit celui-là? Quelle est cette personne? Connaissez-vous sa famille? Vous les voyez ensuite aller sourdement distiller dans l'ombre les petites médisances qu'ils ont pu recueillir, en ayant soin de les envenimer par d'onctueuses calomnies. « Ce sont des bruits, disent-ils, auxquels on ne croit pas; » mais cependant, ils ajoutent: « Il n'y a pas de fumée sans feu, etc., etc. »

A ces tartufes de l'incarnation réunissez les tartufes de l'erraticité, et vous verrez, mes chers amis, combien j'ai raison de vous conseiller d'agir désormais avec une réserve extrême, et de vous garder de toute imprudence et de tout enthousiasme irréfléchi. Je vous l'ai dit, vous êtes dans un moment de crise, rendu plus difficile par la malveillance, mais dont vous sortirez plus forts avec la fermeté et la persévérance.

Le nombre des médiums est aujourd'hui incalculable, et il est fâcheux de voir que quelques-uns se croient seuls appelés à distribuer la vérité au monde et s'extasier devant des banalités qu'ils considèrent comme des monuments. Pauvres abusés qui se baissent en passant sous les arcs de triomphe! Comme si la vérité avait attendu leur venue pour être annoncée. Ni le fort, ni le faible, ni l'instruit, ni l'ignorant, n'ont eu ce privilège exclusif; c'est par mille voix inconnues que la vérité s'est répandue, et c'est justement par cette unanimité qu'elle a su se faire reconnaître. Comptez ces voix, comptez ceux qui les écoutent, comptez surtout ceux qu'elles frappent au cœur, si vous voulez savoir de quel côté est la vérité. Ah! si tous les médiums avaient la foi, je serais le premier à m'incliner devant eux; mais ils n'ont, la plupart du temps, que foi en eux-mêmes, tant l'orgueil est grand sur la terre! Non, leur foi n'est pas celle qui transporte les montagnes et qui fait marcher sur les eaux! C'est le cas de répéter ici cette maxime évangélique qui me servit de thème lorsque je me fis entendre à mon début parmi vous: beaucoup d'appelés et peu d'élus.

En somme, publications à droite, publications à gauche, publications partout, pour ou contre, dans tous les sens, sous toutes les formes; critiques outrées de la part de gens qui n'en savent pas le premier mot; sermons fougueux de gens qui le redoutent; en somme, dis-je, le Spiritisme est à l'ordre du jour; il remue tous les cerveaux, agite toutes les consciences, privilège exclusif des grandes choses; chacun pressent qu'il porte en lui le principe d'une rénovation que les uns appellent de leurs vœux, et les autres redoutent. Mais, de tout cela, que restera-t-il? De cette tour de Babel que jaillira-t-il? Une chose immense: la vulgarisation de l'idée spirite, et comme doctrine, ce qui sera véritablement doctrinal! Ce conflit est inévitable, parce que l'homme est entaché de trop d'orgueil et d'égoïsme pour accepter sans opposition une vérité nouvelle quelconque; je dis même que ce conflit est nécessaire, parce que c'est le frottement qui use les idées fausses et fait ressortir la puissance de celles qui résistent. Au milieu de cette avalanche de médiocrités, d'impossibilités et d'utopies irréalisables, la vérité splendide s'épanouira dans sa grandeur et sa majesté.

ERASTE.


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